SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2021
João Pedro, residente de MFC, vem discutir o caso do Sr. Davi, 55 anos, com o preceptor. Ele viera em consulta de demanda espontânea, ansioso porque mediu a pressão arterial (PA) na farmácia do bairro e se assustou com valor de 150 x 100 mmHg. Trabalha como caminhoneiro, pelo menos 10 horas por dia. A alimentação é a base de marmitas ao longo da estrada e muito refrigerante, além das doçuras e café que o mantém alerta nas viagens. Não tinha nenhum sintoma. A mãe era diabética e faleceu há 2 anos depois de um infarto agudo do miocárdio. O pai e um dos irmãos têm hipertensão arterial. Negou palpitações, síncope, escotomas, cefaleia, tontura. Negou tabagismo; faz uso de 3 latas de cerveja aos finais de semana. Só queria ser atendido logo e pegar um remédio, pois o caminhão já estava carregado para mais uma viagem. No exame físico: BEG, corado, discreto rubor facial; IMC 35Kg/m2; PA: 160x100 mmHg FC: 85bpm; eupneico. Exame cardiopulmonar e abdominal sem alterações. Membros inferiores: pulsos pediosos e tibiais posteriores presentes e simétricos. Sem edema. Após a discussão do caso o preceptor questionou sobre o plano que o residente considerava apropriado no momento. Dentre as assertivas abaixo assinale a que seria a conduta correta:
PA elevada assintomática (160x100 mmHg) → MRPA + mudança estilo de vida antes de medicar, para confirmar diagnóstico.
Em pacientes assintomáticos com PA elevada na consulta, é crucial confirmar o diagnóstico de hipertensão arterial antes de iniciar a farmacoterapia. A MRPA por 2 semanas é o método ideal para evitar o efeito do jaleco branco e avaliar a média pressórica real, enquanto se iniciam as mudanças no estilo de vida.
O diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica (HAS) é um dos pilares da atenção primária e da medicina interna. A HAS é uma condição crônica e multifatorial, sendo um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais. Sua prevalência é alta na população adulta, e o diagnóstico precoce e manejo adequado são cruciais para prevenir complicações graves. É fundamental diferenciar uma elevação ocasional da PA de um quadro de HAS estabelecida. Em pacientes assintomáticos com elevações da pressão arterial no consultório, como no caso apresentado (160x100 mmHg), a confirmação diagnóstica é essencial antes de iniciar a terapia medicamentosa. A Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) ou a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) são os métodos preferenciais para confirmar o diagnóstico, pois fornecem múltiplas medidas fora do ambiente médico, minimizando o efeito do jaleco branco e avaliando a média pressórica real do paciente. Além disso, a avaliação do risco cardiovascular global é importante para guiar a conduta. A conduta inicial em pacientes com suspeita de HAS, especialmente na ausência de sintomas ou lesão de órgão-alvo, deve focar na tranquilização do paciente, orientação sobre sinais de alerta e, primordialmente, na implementação de mudanças no estilo de vida. Essas medidas não farmacológicas, como dieta saudável, atividade física e controle de peso, são a base do tratamento e podem, por si só, normalizar a PA em alguns casos. O retorno para reavaliação após um período de monitorização e adesão às mudanças de estilo de vida é a abordagem mais apropriada e segura.
O tratamento farmacológico é geralmente iniciado após a confirmação do diagnóstico de hipertensão arterial, que requer múltiplas medidas elevadas de PA, preferencialmente fora do consultório (MRPA ou MAPA), e avaliação do risco cardiovascular global.
A MRPA é fundamental para confirmar o diagnóstico de HAS, diferenciar da hipertensão do jaleco branco, avaliar a eficácia do tratamento e identificar a hipertensão mascarada, fornecendo uma média pressórica mais representativa das condições habituais do paciente.
As principais mudanças incluem dieta DASH, redução do consumo de sódio, prática regular de atividade física, cessação do tabagismo, moderação no consumo de álcool e controle do peso. Essas medidas são a base do tratamento e podem reduzir significativamente a PA.
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