HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2024
Marlene, 58 anos, comparece à consulta com médico de família e comunidade (MFC) pela primeira vez e conta que não é examinada desde que teve seu último parto, há 20 anos. Agendou esta consulta porque tem sentido cansaço frequente para suas atividades laborais, mas nega falta de ar. Atualmente, trabalha com faxina em casa de família. Não tem histórico pessoal de nenhuma doença. Nega tabagismo, etilismo e uso de drogas. Seus pais eram hipertensos e a mãe, diabética. Ao exame físico apresenta-se eupneica, corada, acianótica, anictérica em bom estado geral. FC: 80 bpm. FR: 18 ipm. Pressão arterial (PA) verificada em 2 medidas com intervalo de 2 minutos 150 x 95 e 145 x 90 mmHg (membro superior direito) e 160 x 100 e 150 x 95 mmHg (membro superior esquerdo). Índice de massa corpórea 29 kg/m². Não apresentava edemas. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Entre as condutas abaixo, a melhor para o diagnóstico de hipertensão arterial neste caso é:
PA elevada no consultório → Confirmar HAS com MRPA ou MAPA para excluir hipertensão do avental branco.
A confirmação do diagnóstico de hipertensão arterial não deve se basear apenas em medidas isoladas no consultório, especialmente em pacientes com suspeita de 'hipertensão do avental branco'. O monitoramento da pressão arterial fora do consultório (MRPA ou MAPA) é essencial para uma avaliação mais precisa e para guiar o tratamento.
O diagnóstico da hipertensão arterial sistêmica (HAS) é um processo que exige rigor e não deve ser baseado em medidas isoladas da pressão arterial (PA) no consultório. A variabilidade da PA e o fenômeno da 'hipertensão do avental branco' (elevação da PA apenas no ambiente clínico) podem levar a um sobrediagnóstico e tratamento desnecessário. Por outro lado, a 'hipertensão mascarada' (PA normal no consultório, mas elevada fora dele) pode atrasar o diagnóstico e o tratamento. Para uma avaliação diagnóstica precisa, as diretrizes atuais recomendam o monitoramento da pressão arterial fora do consultório, seja através do Monitoramento Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) de 24 horas ou do Monitoramento Residencial da Pressão Arterial (MRPA). O MRPA, realizado pelo próprio paciente em casa com um aparelho validado, em condições padronizadas (3 medidas pela manhã e 3 à noite, por 3 a 5 dias), oferece uma média mais representativa da PA habitual e permite identificar a hipertensão do avental branco ou a hipertensão mascarada. A conduta de realizar o MRPA é a mais adequada para Marlene, pois suas medidas no consultório são elevadas, mas a confirmação diagnóstica é fundamental antes de iniciar qualquer tratamento medicamentoso. Os valores de corte para o diagnóstico de HAS no MRPA são diferentes dos do consultório (≥ 135/85 mmHg). Para residentes, compreender a importância e a metodologia desses métodos de monitoramento é essencial para um diagnóstico correto e um manejo eficaz da hipertensão arterial, evitando erros e otimizando a saúde cardiovascular dos pacientes.
Medidas isoladas no consultório podem ser influenciadas pelo 'efeito do avental branco', levando a valores falsamente elevados. O monitoramento fora do consultório oferece uma visão mais representativa da pressão arterial habitual do paciente.
O MRPA é realizado pelo próprio paciente em casa, com aparelho validado, em horários específicos. O MAPA é um exame que registra a PA automaticamente por 24 horas, realizado por um serviço especializado. Ambos são úteis para confirmar o diagnóstico e avaliar o controle.
No MRPA, a média das medidas de pressão arterial sistólica ≥ 135 mmHg e/ou diastólica ≥ 85 mmHg é considerada indicativa de hipertensão arterial. Valores entre 130-134/80-84 mmHg podem indicar pré-hipertensão.
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