Hepatite B Aguda: Diagnóstico e Marcadores Sorológicos

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2015

Enunciado

Paciente com 28 anos queixa-se de náuseas, vômitos, fraqueza e mialgia que iniciaram há 10 dias, com febre até 39ºC aferida. Há 2 dias, passou a apresentar icterícia, colúria e acolia e queixa de dor no hipocôndrio direito, contínua, com sensação de peso. Nega uso de álcool de forma abusiva, informação confirmada pela esposa presente à consulta. Nega uso de medicações, chás ou ervas, com exceção do uso recente de paracetamol 1 g/24h para dor e febre. Ao exame físico, apresenta icterícia intensa, dor à palpação de hipocôndrio direito e hepatimetria de 16 cm. Os exames complementares demonstram: ALT = 2.352 UI/ml; AST = 1.839 UI/ml; BT = 24 mg/dl; BD = 19,7 mg/dl; RNI = 1,2. Sorologias demonstram HBsAG positivo; anti-HBc IgM positivo; HBeAG positivo; anti-HBe negativo; anti-HBs negativo; anti-HAV total positivo; anti-HCV negativo; FAN negativo; anticorpo antimúsculo liso 1:80. Qual o diagnóstico desta situação clínica?

Alternativas

  1. A) Hepatite aguda A.
  2. B) Hepatite aguda B.
  3. C) Hepatite aguda C.
  4. D) Hepatite autoimune. 
  5. E) Hepatite medicamentosa.

Pérola Clínica

HBsAg + e Anti-HBc IgM + = Hepatite B aguda. HBeAg + = alta replicação viral e infectividade.

Resumo-Chave

O diagnóstico de hepatite B aguda é confirmado pela presença de HBsAg positivo e Anti-HBc IgM positivo. A presença de HBeAg positivo indica alta replicação viral e, consequentemente, alta infectividade do paciente.

Contexto Educacional

A hepatite B aguda é uma infecção viral do fígado causada pelo vírus da hepatite B (HBV), transmitida por contato com sangue ou fluidos corporais contaminados. Clinicamente, manifesta-se com sintomas inespecíficos como náuseas, vômitos, fraqueza e mialgia, progredindo para icterícia, colúria e acolia. O quadro laboratorial típico inclui elevação acentuada das transaminases (ALT e AST), hiperbilirrubinemia e, por vezes, coagulopatia (RNI elevado). O diagnóstico sorológico é fundamental: HBsAg positivo confirma a infecção pelo HBV, enquanto Anti-HBc IgM positivo indica que a infecção é aguda ou recente. A presença de HBeAg positivo sugere alta replicação viral e maior infectividade. A ausência de Anti-HBs e Anti-HBe reforça a fase aguda da doença. É importante descartar outras causas de hepatite, como medicamentosa (embora o paracetamol em doses terapêuticas seja improvável de causar tal quadro) ou autoimune (FAN e anticorpos antimúsculo liso em baixos títulos são inespecíficos). O manejo da hepatite B aguda é geralmente de suporte, pois a maioria dos pacientes se recupera espontaneamente. No entanto, uma pequena porcentagem pode evoluir para hepatite fulminante ou cronificação. O residente deve estar apto a reconhecer o quadro clínico e interpretar a sorologia para um diagnóstico precoce e manejo adequado, prevenindo complicações e a transmissão da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais marcadores sorológicos para diagnosticar Hepatite B aguda?

Os principais marcadores são HBsAg positivo (indicando infecção ativa) e Anti-HBc IgM positivo (indicando infecção recente). A presença de HBeAg positivo também é comum na fase aguda e indica alta replicação viral.

Qual o significado de ALT e AST muito elevadas em um quadro de hepatite?

Níveis de ALT (TGP) e AST (TGO) acima de 1000 UI/ml são característicos de hepatite viral aguda grave ou outras lesões hepáticas agudas severas. Isso indica intensa necrose hepatocelular.

Como diferenciar Hepatite B aguda de outras causas de hepatite, como medicamentosa ou autoimune?

A diferenciação é feita pela sorologia específica para vírus (HBsAg, Anti-HBc IgM), que é positiva na hepatite viral. Hepatite medicamentosa é sugerida por histórico de uso de drogas hepatotóxicas, e autoimune por autoanticorpos em altos títulos e ausência de marcadores virais.

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