Hepatite A Aguda: Interpretando a Sorologia Corretamente

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um homem jovem procura o serviço de Atenção Primária à Saúde com queixa de icterícia, colúria e acolia. Ele relata relações sexuais desprotegidas com outros homens e refere vacinação incompleta. A sorologia revelou os seguintes resultados:HCV: Não reagenteHBsAg: Não reagenteAnti-HBc total: Não reagenteAnti-HBs: ReagenteHepatite A IgG: ReagenteHepatite A IgM: ReagenteEpstein-Barr IgG: ReagenteEpstein-Barr IgM: Não reagenteCom base nessas informações, qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Hepatite B aguda;
  2. B) Hepatite C crônica;
  3. C) Hepatite A aguda;
  4. D) Mononucleose infecciosa aguda.

Pérola Clínica

Icterícia aguda + Anti-HAV IgM reagente = Hepatite A aguda, independentemente de outros marcadores.

Resumo-Chave

O diagnóstico de hepatite A aguda é sorológico, confirmado pela presença do anticorpo IgM anti-VHA. No caso apresentado, o Anti-HBs reagente isolado indica imunidade vacinal para hepatite B, e a sorologia para Epstein-Barr aponta infecção pregressa, não aguda.

Contexto Educacional

A investigação de um paciente com síndrome ictérica aguda requer uma abordagem sistemática, sendo a interpretação correta das sorologias virais um passo fundamental. As hepatites virais A, B e C são as causas mais comuns, mas outras etiologias como Epstein-Barr (EBV), Citomegalovírus (CMV) e causas tóxicas devem ser consideradas. A hepatite A é uma doença de transmissão fecal-oral, mais comum em áreas com saneamento precário e entre populações de risco. O diagnóstico laboratorial é essencial para a diferenciação etiológica. Para a hepatite A, a presença do anticorpo da classe IgM (Anti-HAV IgM) é o marcador definitivo de infecção aguda. O Anti-HAV IgG surge posteriormente e confere imunidade duradoura. No caso da hepatite B, a análise conjunta de HBsAg, Anti-HBc e Anti-HBs é crucial. Um Anti-HBs reagente isolado, como no caso, é o perfil clássico de um indivíduo vacinado e imune, descartando infecção. O manejo da hepatite A aguda é primariamente de suporte, visto que a doença é autolimitada na grande maioria dos casos. A prevenção através da vacinação e de medidas de saneamento básico e higiene pessoal é a estratégia mais eficaz para o controle da doença. A notificação à vigilância epidemiológica é obrigatória para permitir a investigação de surtos e a implementação de medidas de bloqueio de transmissão.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da hepatite A aguda?

O quadro clínico típico inclui uma fase prodrômica com febre, mal-estar, náuseas e dor abdominal, seguida por uma fase ictérica com icterícia (pele e olhos amarelados), colúria (urina escura) e acolia fecal (fezes claras). A elevação de transaminases (TGO/TGP) é acentuada.

Qual a conduta para um paciente com diagnóstico de hepatite A aguda?

O tratamento é de suporte, focado em repouso, hidratação adequada e manejo sintomático. Não há terapia antiviral específica. É fundamental orientar sobre medidas de higiene para evitar a transmissão fecal-oral e realizar a notificação compulsória do caso.

O que significa um resultado de Anti-HBs reagente com Anti-HBc não reagente?

Este padrão sorológico indica imunidade contra o vírus da hepatite B adquirida exclusivamente por vacinação. O Anti-HBs é o anticorpo protetor, e a ausência do Anti-HBc (marcador de contato com o core do vírus) confirma que o indivíduo nunca teve a infecção natural.

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