UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020
Uma paciente feminina, 45 anos, procura a unidade básica de saúde, relatando preocupação em fazer o exame do HIV, pois descobriu que o seu ex-parceiro adoeceu. Você atende e acolhe a paciente, verifica seu histórico de saúde e queixas atuais e solicita alguns exames. Quando a paciente retorna, os resultados são os seguintes: anti-HIV não reagente, HBsAg não reagente, anti-HBc IgG não reagente, anti-HCV reagente, anti-HBs reagente e VDRL não reagente. Qual a sua interpretação e a próxima conduta?
Anti-HCV reagente → sempre solicitar exame confirmatório (PCR HCV) para viremia ativa.
Um resultado reagente para anti-HCV indica exposição prévia ao vírus da Hepatite C, mas não necessariamente infecção ativa. É crucial solicitar um teste confirmatório, como o PCR para HCV RNA, para determinar se há viremia e, consequentemente, necessidade de tratamento.
A interpretação correta da sorologia para hepatites virais e outras ISTs é uma habilidade diagnóstica fundamental na atenção primária e em emergências. A Hepatite C, em particular, é uma doença silenciosa que pode progredir para cirrose e carcinoma hepatocelular se não for diagnosticada e tratada precocemente. O rastreamento é crucial, especialmente em populações de risco, como usuários de drogas injetáveis, receptores de transfusões antes de 1993 e parceiros de pessoas infectadas. O diagnóstico da Hepatite C envolve uma etapa de triagem com o anti-HCV. Um resultado reagente indica exposição, mas não necessariamente infecção ativa. A confirmação da viremia através do PCR para HCV RNA é indispensável antes de qualquer decisão terapêutica. A ausência de viremia em um paciente com anti-HCV reagente significa que houve resolução espontânea da infecção. Já a sorologia para Hepatite B e HIV, quando interpretada corretamente, permite identificar imunidade, infecção ativa ou ausência de infecção, direcionando as condutas de vacinação, tratamento ou aconselhamento. Para residentes, dominar a interpretação desses exames é vital para evitar condutas desnecessárias ou, pior, o subdiagnóstico de condições que exigem intervenção. A conduta após um anti-HCV reagente é sempre solicitar o PCR para HCV RNA. Em caso de viremia, o paciente deve ser encaminhado para avaliação e tratamento com antivirais de ação direta, que apresentam altas taxas de cura. A profilaxia e o aconselhamento sobre ISTs também são componentes essenciais do manejo.
Após um resultado reagente para anti-HCV, é fundamental solicitar o teste de PCR para HCV RNA (carga viral). Este exame detecta a presença do material genético do vírus, confirmando a infecção ativa e a viremia.
Essa combinação de resultados (anti-HBs reagente, HBsAg não reagente e anti-HBc IgG não reagente) é típica de imunidade adquirida por vacinação contra Hepatite B. Indica que o paciente está protegido contra a infecção.
O anti-HCV detecta anticorpos contra o vírus, indicando exposição prévia. No entanto, cerca de 15-25% dos indivíduos expostos podem eliminar o vírus espontaneamente. O tratamento só é indicado para pacientes com infecção ativa, confirmada pela presença de HCV RNA no sangue (PCR).
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