IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025
Paciente masculino, 43 anos, apresenta mancha hipocrômica em face posterior do antebraço direito com 8cm de diâmetro, bordas mal definidas e alteração de sensibilidade térmica à avaliação com tubos de água quente/fria, sem alteração de sensibilidade dolorosa ou tátil. Teste de histamina evidencia resposta ausente na lesão e presente na pele normal. Baciloscopia de raspado dérmico negativa nos 6 sítios. Na avaliação diagnóstica complementar e classificação operacional da hanseníase, selecione a afirmativa correta:
Lesão cutânea com alteração de sensibilidade (especialmente térmica) é o pilar diagnóstico da hanseníase, mesmo com baciloscopia negativa.
A hanseníase é uma doença primariamente neural. A alteração da sensibilidade térmica é um dos sinais mais precoces de comprometimento de fibras nervosas finas na pele, sendo um teste de alta especificidade para o diagnóstico, muitas vezes precedendo as alterações táteis ou dolorosas.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar incapacidades permanentes. O Brasil é o segundo país do mundo em número de casos, tornando seu conhecimento essencial para a prática médica no país. O diagnóstico da hanseníase é eminentemente clínico-neurológico. Baseia-se na identificação de lesões de pele características (manchas hipocrômicas, acastanhadas ou avermelhadas) associadas à alteração de sensibilidade. A avaliação neurológica simplificada é a ferramenta mais importante, testando as sensibilidades térmica (com tubos de ensaio com água quente e fria), dolorosa (com agulha) e tátil (com algodão ou monofilamentos de Semmes-Weinstein). A alteração da sensibilidade térmica é frequentemente o sinal mais precoce e específico, refletindo o dano às fibras nervosas finas. O caso descrito, com uma única lesão hipocrômica e alteração de sensibilidade térmica, é característico de uma forma paucibacilar (provavelmente hanseníase indeterminada). Nessas formas, a carga bacilar é baixa, e a baciloscopia do esfregaço dérmico é quase sempre negativa. Portanto, um resultado negativo não afasta o diagnóstico. O tratamento é definido pela classificação operacional (Paucibacilar ou Multibacilar), que guia a escolha e a duração do esquema de poliquimioterapia (PQT).
Os sinais cardinais são: 1) Lesão ou lesões de pele com alteração de sensibilidade; 2) Espessamento de nervo periférico, associado a alterações sensitivas, motoras ou autonômicas; 3) Baciloscopia positiva de esfregaço intradérmico. A presença de apenas um desses sinais confirma o diagnóstico.
É classificada como Paucibacilar (PB) se o paciente tiver até 5 lesões de pele e baciloscopia negativa. É Multibacilar (MB) se tiver mais de 5 lesões de pele ou baciloscopia positiva, independentemente do número de lesões. O acometimento de mais de um tronco nervoso também classifica como MB.
O Mycobacterium leprae tem tropismo por células de Schwann e afeta as fibras nervosas de forma seletiva. O comprometimento geralmente segue um padrão, afetando primeiro as fibras finas não mielinizadas (responsáveis pela sensibilidade térmica, dor e funções autonômicas) e só depois as fibras mais grossas e mielinizadas (tato e propriocepção).
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