Hanseníase: Diagnóstico e Classificação Paucibacilar/Multibacilar

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021

Enunciado

A respeito do diagnóstico da hanseníase, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O exame clínico e os testes propedêuticos não são suficientes para basear o diagnóstico da moléstia, sendo necessários, na maioria dos casos, exames complementares, como, por exemplo, a baciloscopia ou a biópsia de pele.
  2. B) No paciente paucibacilar (hanseníase indeterminada ou tuberculoide), a baciloscopia é sempre negativa; caso seja positiva, o doente deverá ser reclassificado como multibacilar. No paciente multibacilar (hanseniá se dimorfa e virchowiana), a baciloscopia pode ser positiva ou negativa.
  3. C) A prova de histamina exógena consiste em uma prova funcional para avaliar a resposta vasorreflexa à droga, indicando a integridade e a viabilidade do sistema nervoso autonômico de dilatar os vasos cutâneos superficiais, o que resulta no eritema. Assim, lesões de hanseníase multibacilares apresentam prova da histamina incompleta, enquanto lesões paucibacilares apresentam prova completa.
  4. D) A hanseníase acomete principalmente a pele e o sistema nervoso periférico. Assim, o exame dermatoneurológico apresenta alteração intensa nos quadros de hanseníase multibacilar, porém preservado nos quadros de hanseníase paucibacilar.
  5. E) O doente deve ser classificado em paucibacilar, em que a doença está localizada em uma região anatômica e(ou) há mais de um tronco nervoso comprometido, ou multibacilar, em que a doença é disseminada em várias regiões anatômicas e(ou) há um tronco nervoso comprometido.

Pérola Clínica

Hanseníase: paucibacilar = baciloscopia negativa; multibacilar = baciloscopia positiva ou negativa.

Resumo-Chave

O diagnóstico da hanseníase é primariamente clínico, baseado no exame dermatoneurológico. A baciloscopia é um exame complementar crucial para a classificação em paucibacilar (PB) ou multibacilar (MB), sendo sempre negativa em PB e podendo ser positiva ou negativa em MB.

Contexto Educacional

A hanseníase, causada pelo Mycobacterium leprae, é uma doença infecciosa crônica que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. Apesar dos avanços no tratamento, ainda representa um desafio de saúde pública em muitas regiões. O diagnóstico precoce é crucial para interromper a cadeia de transmissão e prevenir incapacidades físicas permanentes, que são as principais complicações da doença. O diagnóstico da hanseníase é predominantemente clínico, baseado na identificação de um ou mais dos seguintes sinais cardinais: lesões de pele com alteração de sensibilidade (anestesia ou hipoestesia), espessamento e/ou dor em nervos periféricos, e baciloscopia positiva. A classificação da doença em paucibacilar (PB) ou multibacilar (MB) é fundamental para definir o esquema terapêutico e o tempo de tratamento. Pacientes paucibacilares (formas indeterminada e tuberculoide) geralmente apresentam baciloscopia negativa, enquanto pacientes multibacilares (formas dimorfa e virchowiana) podem ter baciloscopia positiva ou negativa, mas com maior carga bacilar. A baciloscopia, realizada a partir de esfregaços de linfa de lóbulos de orelha e cotovelos, é um exame complementar importante para a classificação e monitoramento. A biópsia de pele pode ser útil em casos duvidosos. O exame dermatoneurológico detalhado, que avalia a sensibilidade cutânea e a integridade dos nervos periféricos, é a pedra angular do diagnóstico. A prova de histamina, que avalia a resposta vasorreflexa, pode ser alterada em lesões hansênicas, mas não é um critério diagnóstico isolado. Compreender a correlação entre a clínica, a baciloscopia e a classificação é essencial para o manejo adequado da hanseníase.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do diagnóstico da hanseníase?

O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico, baseado na presença de lesões cutâneas com alteração de sensibilidade, espessamento de nervos periféricos e, em alguns casos, confirmado pela baciloscopia ou biópsia.

Como a baciloscopia auxilia na classificação da hanseníase?

A baciloscopia é crucial para classificar a hanseníase em paucibacilar (PB), onde é sempre negativa, ou multibacilar (MB), onde pode ser positiva ou negativa. Essa classificação guia o esquema terapêutico.

Qual a importância do exame dermatoneurológico na hanseníase?

O exame dermatoneurológico é fundamental para identificar lesões cutâneas hipoestésicas ou anestésicas e espessamento de nervos periféricos, sendo a base para a suspeita e o diagnóstico clínico da doença.

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