SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2020
Homem de 58 anos, obeso e etilista social, procurou consulta referindo dor no joelho esquerdo, de surgimento abrupto, pois dormiu sem dor, porém acordou com o joelho quente e vermelho. Negou traumas e infecções recentes, mas referiu um episódio no primeiro dedo do pé esquerdo há 3 anos, quando fez uso de anti-inflamatório com resolução do caso. Quanto à hipótese diagnóstica de gota, é correto afirmar que a:
Gota: diagnóstico presuntivo pela clínica. Ácido úrico pode ser normal na crise. Hipouricemiantes para casos recorrentes.
O diagnóstico presuntivo de gota pode ser feito pela história clínica e exame físico, especialmente em casos de artrite aguda monoarticular com sinais inflamatórios intensos e histórico de episódios prévios. A dosagem de ácido úrico pode estar normal durante a crise, e a terapia hipouricemiante é indicada para casos de artropatia crônica ou crises recorrentes.
A gota é uma doença inflamatória articular causada pela deposição de cristais de monourato de sódio nas articulações e tecidos periarticulares, resultante da hiperuricemia. É uma das formas mais comuns de artrite inflamatória, com prevalência crescente devido a fatores como obesidade, síndrome metabólica, consumo de álcool e uso de certos medicamentos. A apresentação clássica é uma crise aguda de monoartrite, frequentemente no hálux (podagra), caracterizada por dor súbita e intensa, calor, rubor e edema. A fisiopatologia envolve a supersaturação de ácido úrico no sangue, levando à formação de cristais que desencadeiam uma resposta inflamatória aguda. O diagnóstico de gota é frequentemente presuntivo, baseado na história clínica e no exame físico, especialmente em pacientes com fatores de risco (etilismo, obesidade) e episódios prévios com resolução espontânea. A confirmação definitiva é feita pela identificação de cristais de urato no líquido sinovial, mas nem sempre é necessária ou possível na prática clínica. É crucial entender que a dosagem de ácido úrico sérico pode estar normal durante uma crise aguda, o que não exclui o diagnóstico. O tratamento da crise aguda visa o alívio da dor e inflamação com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), colchicina ou corticosteroides. A terapia hipouricemiante, que visa reduzir os níveis de ácido úrico para prevenir futuras crises e complicações (como tofos e artropatia crônica), é indicada para pacientes com gota recorrente, tofos, dano articular ou nefrolitíase, e não deve ser iniciada durante a crise aguda.
Uma crise aguda de gota tipicamente se manifesta com dor intensa de início abrupto, geralmente noturno, em uma única articulação (mais comum no hálux, mas pode afetar joelhos, tornozelos). A articulação fica quente, vermelha, inchada e extremamente sensível ao toque, com inflamação intensa.
A terapia hipouricemiante (com alopurinol ou febuxostate) é indicada para pacientes com gota que apresentam crises recorrentes, tofos, artropatia crônica, nefrolitíase por ácido úrico, ou níveis séricos de ácido úrico muito elevados (>9 mg/dL). Não é indicada na primeira crise sem outras complicações.
A dosagem de ácido úrico sérico durante uma crise aguda de gota pode ser enganosa, pois os níveis podem estar normais ou até diminuídos devido ao sequestro de urato nos tecidos ou aumento da excreção renal. Portanto, um nível normal de ácido úrico não exclui o diagnóstico de gota durante a crise.
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