UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
Mulher de 34 anos, assistente administrativa, vem à consulta na UBS queixando-se de dor muscular de forte intensidade no dorso, especialmente na região cervical, mas que também ocorre em membros superiores e membros inferiores, de caráter migratório, difuso, sem relação com trauma ou uso excessivo daquele membro/grupo muscular. Sintomas iniciaram há cerca de 10 meses, período em que tem tido sobrecarga de trabalho. Já esteve diversas vezes na emergência por essa queixa, nunca obtendo alívio completo dos sintomas com o uso de analgésicos ou anti-inflamatórios não esteroidais. Relata, ainda, que tem tido dificuldade de iniciar o sono e que acorda sempre cansada. Nega doenças prévias. Ao exame físico, não apresenta quaisquer alterações dignas de nota. Diante desse caso, marcar C para as afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:(_) A paciente tem o diagnóstico de fibromialgia, visto que apresenta dor de caráter difuso e migratório constante, associada à fadiga e sono não reparador.(_) Os anti-inflamatórios não esteroidais são a droga de 1ª linha para o tratamento da patologia desse caso, sendo administrado por tempo indeterminado, sem o risco de efeitos adversos.(_) No tratamento da paciente, podemos incluir o uso de antidepressivos tricíclicos, atividade física e psicoterapia, visando ao controle da dor, à melhora do sono e à redução da fadiga.
Fibromialgia: Dor difusa crônica + fadiga + sono não reparador. Tto: ADT, exercício, psicoterapia. AINES não são 1ª linha.
A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada, fadiga e sono não reparador, sem alterações inflamatórias ou estruturais evidentes. O tratamento é multimodal, incluindo antidepressivos (tricíclicos, ISRS/IRSN), atividade física e psicoterapia, com AINEs tendo papel limitado.
A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada, caracterizada por dor musculoesquelética difusa, fadiga persistente, sono não reparador e distúrbios cognitivos, entre outros sintomas. Afeta predominantemente mulheres e tem um impacto significativo na qualidade de vida. A fisiopatologia envolve uma desregulação do processamento da dor no sistema nervoso central, resultando em sensibilização central e amplificação dos estímulos dolorosos. O diagnóstico da fibromialgia é clínico, baseado nos sintomas relatados pelo paciente e na exclusão de outras condições que possam mimetizar o quadro. Os critérios diagnósticos atuais enfatizam a dor generalizada por mais de três meses, associada a fadiga, sono não reparador e problemas cognitivos, sem a necessidade de identificar pontos dolorosos específicos (tender points), embora estes ainda possam ser úteis. É crucial que o exame físico não revele alterações inflamatórias ou estruturais que justifiquem a dor. O tratamento da fibromialgia é complexo e deve ser multimodal, visando o alívio da dor, a melhora do sono e a redução da fadiga. As abordagens incluem farmacoterapia com antidepressivos (tricíclicos como amitriptilina, inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina como duloxetina e milnaciprano) e gabapentinoides (pregabalina). Além disso, a atividade física regular (exercícios aeróbicos e de fortalecimento) e a psicoterapia (especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental) são pilares fundamentais. Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) têm um papel limitado, pois a dor não é primariamente inflamatória, e seu uso crônico pode levar a efeitos adversos significativos.
Os critérios diagnósticos atuais da fibromialgia incluem dor generalizada (em pelo menos 4 das 5 regiões do corpo) por pelo menos 3 meses, associada a sintomas como fadiga, sono não reparador e problemas cognitivos. A presença de pontos dolorosos específicos (tender points) não é mais obrigatória, mas pode auxiliar no diagnóstico.
Os AINES não são a primeira linha para fibromialgia porque a dor na fibromialgia não é primariamente inflamatória. Eles podem oferecer alívio sintomático limitado para dores específicas, mas não abordam a fisiopatologia central da sensibilização à dor e os outros sintomas como fadiga e distúrbios do sono. Seu uso prolongado também está associado a efeitos adversos.
O tratamento da fibromialgia é multimodal e inclui farmacoterapia (antidepressivos tricíclicos como amitriptilina, ISRS/IRSN como duloxetina e milnaciprano, gabapentinoides como pregabalina), atividade física regular (aeróbica e de fortalecimento), e terapias não farmacológicas como psicoterapia (especialmente Terapia Cognitivo-Comportamental) e educação do paciente.
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