UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2022
Mulher de 62 anos procura atendimento médico referindo, há vários meses, dor no pescoço, nas costas, nos joelhos, além de mal-estar, fadiga e formigamento nas mãos. As queixas não apresentam relação com atividade física, mas pioram durante tempo frio. Acorda quase todos os dias com essas dores, com a sensação de não ter dormido bem e sentindo cansaço, o que atrapalha o seu trabalho. As articulações apresentam movimentos normais, mas com crepitações grosseiras nos joelhos e nas mãos, nas quais é possível observar os nódulos de Heberden e Bouchard. Considerando a maioria dos sintomas, a doença mais provável e a prescrição para terapia mais adequada, respectivamente, são:
Dor crônica generalizada, fadiga, sono não reparador, parestesias + exame físico normal (exceto OA concomitante) → Fibromialgia. Duloxetina é opção terapêutica.
A paciente apresenta um quadro clássico de fibromialgia, com dor crônica generalizada, fadiga, sono não reparador e parestesias. Embora os nódulos de Heberden e Bouchard indiquem osteoartrite concomitante, a maioria dos sintomas sistêmicos aponta para fibromialgia. A duloxetina é um antidepressivo com eficácia comprovada no tratamento da dor e outros sintomas da fibromialgia.
A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada, caracterizada por dor musculoesquelética difusa, fadiga, sono não reparador e pontos dolorosos à palpação. Afeta predominantemente mulheres, com prevalência estimada entre 2% e 4% da população adulta. Sua fisiopatologia envolve uma desregulação da percepção da dor no sistema nervoso central, com amplificação dos sinais dolorosos. É fundamental reconhecer a fibromialgia para oferecer um tratamento adequado e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. O diagnóstico da fibromialgia é clínico, baseado nos critérios do American College of Rheumatology (ACR), que incluem o índice de dor generalizada (WPI) e a escala de gravidade dos sintomas (SSS). É importante excluir outras condições que possam mimetizar a fibromialgia, como hipotireoidismo, polimialgia reumática ou outras doenças reumáticas inflamatórias. No caso apresentado, a presença de nódulos de Heberden e Bouchard indica osteoartrite concomitante, mas os sintomas sistêmicos predominantes (dor generalizada, fadiga, sono não reparador, parestesias) são mais sugestivos de fibromialgia. O tratamento da fibromialgia é multidisciplinar e visa o alívio dos sintomas. Inclui terapias não farmacológicas como exercícios físicos (aeróbicos e de fortalecimento), terapia cognitivo-comportamental e educação do paciente. As opções farmacológicas incluem antidepressivos (tricíclicos como amitriptilina, IRSN como duloxetina e milnaciprano) e anticonvulsivantes (pregabalina, gabapentina). A duloxetina é uma das drogas de primeira linha, atuando na modulação da dor e melhorando o humor e o sono. Corticoides e AINEs geralmente não são eficazes para a dor da fibromialgia.
Os sintomas cardinais da fibromialgia incluem dor crônica generalizada, fadiga persistente, sono não reparador e distúrbios cognitivos, como dificuldade de concentração e memória. Parestesias, cefaleia e síndrome do intestino irritável também são comuns.
A fibromialgia se manifesta com dor generalizada e sintomas sistêmicos (fadiga, sono não reparador), enquanto a osteoartrite causa dor localizada em articulações específicas, piora com o movimento e melhora com o repouso. A presença de nódulos de Heberden e Bouchard indica osteoartrite, mas não exclui a coexistência de fibromialgia.
A duloxetina é um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) que atua na modulação da dor. É um dos fármacos aprovados para o tratamento da fibromialgia, ajudando a reduzir a dor, melhorar o sono e diminuir a fadiga, sendo uma opção terapêutica importante.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo