Unimed-Rio - Cooperativa de Trabalho Médico (RJ) — Prova 2025
Adolescente de 15 anos, previamente hígida, é atendida com febre de 39℃ e dor em joelhos e tornozelos há sete dias. Relata também lesões eritematosas em membros inferiores. Ao exame: temperatura de 38.5°C, presença de edema articular em joelhos, sem sinais de artrite em outras articulações. Murmúrio sistólico em borda esternal inferior. Hemograma: Leucócitos 12.000/mm³, VHS 55 mm/h, PCR 25 mg/L. Ecocardiograma: Presença de insuficiência mitral leve. Qual o diagnóstico mais provável?
Febre Reumática = Cardite + Poliartrite migratória + Sinais inflamatórios + Evidência de infecção estreptocócica recente.
A febre reumática é uma doença inflamatória sistêmica pós-estreptocócica que afeta principalmente o coração, articulações, cérebro e pele. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Jones modificados, que combinam manifestações maiores e menores com evidência de infecção estreptocócica recente.
A febre reumática é uma complicação não supurativa de uma infecção de orofaringe por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A) em indivíduos geneticamente predispostos. Embora sua incidência tenha diminuído em países desenvolvidos, ainda é um problema de saúde pública significativo em regiões em desenvolvimento, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida na infância e adolescência. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Jones modificados, que auxiliam na diferenciação de outras condições. A apresentação clássica envolve poliartrite migratória, cardite (que pode ser subclínica e detectada por ecocardiograma), coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos. A cardite é a manifestação mais temida devido ao potencial de causar doença cardíaca reumática crônica. O tratamento visa erradicar o estreptococo, controlar a inflamação e prevenir recorrências (profilaxia secundária). A penicilina benzatina é a droga de escolha para a erradicação. Anti-inflamatórios (salicilatos, corticosteroides) são usados para controlar os sintomas. A profilaxia secundária é essencial para prevenir novos surtos e a progressão da doença cardíaca.
Os critérios maiores incluem cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos. Os critérios menores são febre, artralgia, VHS/PCR elevados e prolongamento do intervalo PR no ECG. São necessários 2 maiores ou 1 maior e 2 menores, mais evidência de infecção estreptocócica recente.
A cardite é a manifestação mais grave da febre reumática, pois pode levar a danos valvulares permanentes (doença cardíaca reumática crônica), principalmente da valva mitral e aórtica, resultando em insuficiência cardíaca e necessidade de cirurgia.
A evidência pode ser obtida por cultura de orofaringe positiva para Streptococcus pyogenes, teste rápido de antígeno estreptocócico positivo, ou títulos elevados ou crescentes de anticorpos anti-estreptocócicos, como antiestreptolisina O (ASLO) ou anti-DNAse B.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo