Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021
Caso clínico 1A6-IMulher de 20 anos de idade, G1P1A0, foi a atendimento com a equipe da saúde da família queixando-se de corrimento vaginal havia 10 dias. A abordagem da paciente foi realizada conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) do Ministério da Saúde.Para o diagnóstico etiológico do corrimento vaginal da paciente do caso clínico 1A6-I, deve-seI fazer o teste de pH vaginal, colocando-se, por um minuto, a fita de papel indicador na parede vaginal lateral (evitando-se tocar o colo).II colher material de conteúdo vaginal para o teste de Whiff.III colher material de conteúdo vaginal para exame a fresco com soro fisiológico e hidróxido de potássio a 10%.IV colher colpocitologia cervival oncológica para o diagnóstico etiológico do corrimento.Estão corretos os itens
Diagnóstico de corrimento = pH + Whiff + Exame a fresco; Citologia é para rastreio oncológico.
A avaliação etiológica das vulvovaginites exige testes rápidos de consultório para diferenciar vaginose, candidíase e tricomoníase de forma imediata e precisa.
O manejo dos corrimentos vaginais é uma das demandas mais comuns na Atenção Primária e em prontos-socorros ginecológicos. O Protocolo do Ministério da Saúde enfatiza a importância do diagnóstico etiológico sempre que possível, utilizando ferramentas simples como a fita de pH e a microscopia. A diferenciação entre vaginose bacteriana, candidíase e tricomoníase é crucial, pois os tratamentos diferem significativamente. É importante ressaltar que a colpocitologia oncológica não deve ser utilizada como ferramenta diagnóstica para infecções agudas, pois processos inflamatórios podem obscurecer a análise citológica e levar a resultados falso-positivos para displasias. O foco deve ser a resolução do quadro infeccioso antes da coleta de rastreio oncológico, garantindo uma abordagem clínica precisa e custo-efetiva para a saúde da mulher.
O teste de pH vaginal deve ser realizado utilizando uma fita de papel indicador de pH aplicada diretamente na parede lateral da vagina por aproximadamente um minuto. É um passo crítico evitar o contato da fita com o colo uterino ou com o muco cervical, pois o muco cervical possui um pH fisiologicamente mais básico (em torno de 7.0). Se houver contaminação com secreção cervical, o resultado pode indicar um pH falsamente elevado, levando ao diagnóstico errôneo de vaginose bacteriana ou tricomoníase, condições onde o pH vaginal tipicamente excede 4.5. O pH vaginal normal em mulheres em idade fértil é ácido (entre 3.8 e 4.5), mantido pelos lactobacilos, e sua alteração é um sinal clínico valioso.
O teste de Whiff, também conhecido como teste das aminas, é realizado adicionando-se uma ou duas gotas de hidróxido de potássio (KOH) a 10% sobre uma amostra de conteúdo vaginal disposta em uma lâmina de vidro. O teste é considerado positivo se houver a liberação imediata de um odor fétido característico, semelhante a peixe podre. Esse fenômeno ocorre porque o KOH alcaliniza o meio, provocando a volatilização de aminas (como putrescina e cadaverina) produzidas por bactérias anaeróbias que proliferam em quadros de vaginose bacteriana. Este teste é um dos quatro critérios de Amsel e possui alta especificidade para o diagnóstico de vaginose, sendo uma ferramenta rápida e essencial no consultório ginecológico.
O exame a fresco é uma técnica de microscopia imediata onde o conteúdo vaginal é misturado a gotas de soro fisiológico ou KOH 10%. No soro fisiológico, o objetivo é identificar 'clue cells' (células epiteliais recobertas por bactérias), que sugerem vaginose bacteriana, ou observar a motilidade de trofozoítos de Trichomonas vaginalis, confirmando a tricomoníase. Já a adição de KOH 10% serve para lisar detritos celulares e facilitar a visualização de elementos fúngicos, como hifas, pseudo-hifas ou esporos de Candida spp., fundamentais para o diagnóstico de candidíase vulvovaginal. A realização sistemática desses exames permite um tratamento direcionado e eficaz, reduzindo o uso desnecessário de antibióticos e melhorando o desfecho clínico da paciente.
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