Espondiloartrite Axial: Diagnóstico com RM de Sacroilíacas

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025

Enunciado

Em pacientes jovens com quadro clínico de dor lombar inflamatória, a pesquisa para espondiloartrites axiais se faz importante. Nos casos em que se buscam achados de processo inflamatório axial, que exame seria indicado dentre os relacionados abaixo?

Alternativas

  1. A) RX de coluna lombar;
  2. B) Ressonância magnética de sacro ilíaca em sequência T2 com supressão de gordura;
  3. C) Ressonância magnética em sequência T1 com contraste;
  4. D) Tomografia computadorizada de bacia.

Pérola Clínica

Suspeita de espondiloartrite axial com RX normal → RM de sacroilíacas com sequência T2 com supressão de gordura (STIR) para detectar edema ósseo (sacroileíte ativa).

Resumo-Chave

Para detectar inflamação ativa (sacroileíte) nas fases iniciais da espondiloartrite axial, a ressonância magnética é o exame de imagem de escolha. A sequência T2 com supressão de gordura (ou STIR) é a mais sensível para visualizar o edema ósseo subcondral, que é a marca da atividade inflamatória aguda.

Contexto Educacional

As espondiloartrites axiais (EpAax) são um grupo de doenças inflamatórias crônicas que afetam primariamente o esqueleto axial, incluindo as articulações sacroilíacas e a coluna vertebral. A apresentação clássica é a dor lombar com características inflamatórias em um paciente jovem, o que deve levantar alta suspeita clínica. O diagnóstico precoce é crucial para iniciar o tratamento e prevenir danos estruturais irreversíveis. Por muitos anos, o diagnóstico dependia de alterações na radiografia (RX) das sacroilíacas (sacroileíte radiográfica). No entanto, essas alterações estruturais podem levar de 5 a 10 anos para se desenvolverem. A ressonância magnética (RM) revolucionou o diagnóstico ao permitir a visualização da inflamação ativa muito antes do dano estrutural ser visível no RX. A sequência mais importante na RM para essa finalidade é a T2 com supressão de gordura, ou sua equivalente, a STIR (Short Tau Inversion Recovery). Essas sequências são altamente sensíveis para detectar edema, que na medula óssea subcondral das articulações sacroilíacas (edema ósseo) é o principal sinal de sacroileíte ativa. A identificação de sacroileíte ativa na RM é um dos pilares dos critérios de classificação atuais da ASAS (Assessment of SpondyloArthritis international Society), permitindo o diagnóstico da forma 'não radiográfica' da doença e o início precoce da terapia.

Perguntas Frequentes

Quais são as características da dor lombar inflamatória?

É uma dor lombar crônica (>3 meses) que tipicamente se inicia antes dos 40-45 anos, tem um começo insidioso, melhora com o exercício e piora com o repouso (especialmente à noite, acordando o paciente), e está associada à rigidez matinal prolongada (>30 minutos).

Por que a sequência T2 com supressão de gordura (ou STIR) é a melhor para ver sacroileíte ativa?

Essa sequência anula o sinal da gordura da medula óssea, que normalmente é brilhante em T2. Isso faz com que o sinal da água (edema), que também é brilhante em T2, se destaque intensamente. Assim, o edema ósseo subcondral, que representa a inflamação ativa, fica muito evidente.

Quando o RX de sacroilíacas ainda é útil na espondiloartrite axial?

O RX continua sendo um exame importante para detectar alterações estruturais crônicas, como esclerose óssea, erosões, alargamento do espaço articular e, em fases tardias, anquilose (fusão da articulação). A presença de sacroileíte radiográfica inequívoca é um dos critérios de classificação da doença (Critérios de Nova Iorque Modificados).

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