Escarlatina em Crianças: Diagnóstico Confirmatório

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020

Enunciado

Uma criança com 8 anos de idade é atendida na emergência com exantema. Segundo sua mãe, o quadro clínico iniciou-se há 2 dias com febre alta, calafrios, vômitos, cefaleia, prostração e odinofagia. Há 1 dia, surgiu exantema em pescoço, axilas e virilhas, generalizando-se a seguir. Ela nega antecedentes patológicos relevantes. Em exame físico, a criança apresenta estado geral regular, corada, hidratada; com amígdalas hiperemiadas, hipertrofiadas e recobertas por exsudato purulento. Ao redor da boca, observa-se palidez e, nas demais áreas da pele, exantema papular, eritematoso e áspero. Há linhas hiperpigmentadas em áreas de flexão da pele. Para esse caso, o exame laboratorial que confirma o diagnóstico é

Alternativas

  1. A) dosagem de anticorpos heterófilos.
  2. B) dosagem de imunoglobulinas.
  3. C) dosagem de antígenos NS1.
  4. D) cultura de orofaringe.

Pérola Clínica

Criança com febre, faringite exsudativa e exantema áspero com palidez perioral e Linhas de Pastia → Escarlatina = Cultura de orofaringe.

Resumo-Chave

O quadro clínico descrito, com febre alta, odinofagia, amígdalas hiperemiadas e exsudato purulento, associado a um exantema papular, eritematoso e áspero (textura de lixa), palidez perioral e linhas hiperpigmentadas em áreas de flexão (Linhas de Pastia), é altamente sugestivo de escarlatina. A escarlatina é causada por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A), e o diagnóstico definitivo é feito pela cultura de orofaringe.

Contexto Educacional

A escarlatina é uma doença infecciosa aguda, comum na infância, causada por cepas de Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A) que produzem toxinas eritrogênicas. É uma das doenças exantemáticas clássicas e seu reconhecimento precoce é crucial para o tratamento adequado e prevenção de complicações graves. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias, sendo mais prevalente em ambientes fechados como escolas e creches. O quadro clínico típico da escarlatina inicia-se com febre alta, calafrios, cefaleia, prostração e dor de garganta intensa (odinofagia), com amígdalas hiperemiadas, hipertrofiadas e frequentemente com exsudato purulento. O exantema surge 1-2 dias após o início da febre, caracterizado por pápulas eritematosas e ásperas ao toque, que se generalizam, mas poupam a região perioral (palidez perioral). As linhas de Pastia, que são linhas hiperpigmentadas nas áreas de flexão (axilas, virilhas, cotovelos), são um sinal patognomônico. A língua pode apresentar-se com aspecto de 'framboesa'. O diagnóstico da escarlatina é primariamente clínico, mas a confirmação microbiológica é essencial. A cultura de orofaringe é o padrão-ouro para identificar o Streptococcus pyogenes. Testes rápidos de detecção de antígeno estreptocócico também podem ser utilizados, mas um resultado negativo deve ser confirmado por cultura em crianças. O tratamento é feito com antibióticos, geralmente penicilina, para erradicar a bactéria, encurtar a duração da doença e, mais importante, prevenir as complicações não supurativas, como a febre reumática aguda e a glomerulonefrite pós-estreptocócica. A educação dos pais sobre a importância de completar o curso do antibiótico é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas mais importantes para suspeitar de escarlatina?

As características incluem febre alta, faringite com exsudato purulento, exantema eritematoso e papular com textura áspera ('pele de lixa'), palidez perioral (sinal de Filatov) e linhas de Pastia (hiperpigmentação em dobras cutâneas como axilas e virilhas). A língua pode apresentar-se em 'framboesa'.

Por que a cultura de orofaringe é o exame confirmatório para escarlatina?

A escarlatina é causada por Streptococcus pyogenes, e a cultura de orofaringe é o padrão-ouro para isolar e identificar a bactéria, confirmando a infecção estreptocócica. Embora testes rápidos de antígeno sejam usados, a cultura tem maior sensibilidade e especificidade para o diagnóstico definitivo.

Quais são as principais complicações da escarlatina não tratada?

As principais complicações são a febre reumática aguda, uma doença inflamatória grave que pode afetar o coração, articulações, cérebro e pele, e a glomerulonefrite pós-estreptocócica aguda, uma doença renal. O tratamento com antibióticos previne essas complicações.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo