FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2024
Marina, de 28 anos de idade, procurou o ginecologista, queixando‑se de dismenorreia progressiva e dor pélvica crônica que piora durante o período menstrual. Ela relata que tem tentado engravidar por mais de um ano sem sucesso. Na ultrassonografia transvaginal, foi identificado um cisto no ovário direito com aparência ecogênica homogênea, com bordas regulares e com algumas áreas de sombreamento acústico. O estudo Doppler mostrou fluxo vascular periférico ao redor do cisto, mas sem fluxo interno. O médico solicitou um teste de sangue para verificar o nível do CA 125. O resultado retornou com um valor de 90 U/mL, sendo que o intervalo de referência do laboratório é de até 35 U/mL. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta
Endometrioma + CA 125 ↑ + sintomas → forte suspeita de endometriose, mas diagnóstico definitivo = histologia.
A combinação de sintomas clássicos (dismenorreia progressiva, dor pélvica crônica, infertilidade), achados ultrassonográficos sugestivos de endometrioma (cisto ecogênico homogêneo com sombreamento acústico) e CA 125 elevado é altamente indicativa de endometriose. Contudo, o diagnóstico definitivo sempre requer confirmação histológica, geralmente por laparoscopia com biópsia.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando milhões de mulheres em idade reprodutiva. Suas manifestações clínicas incluem dismenorreia progressiva, dor pélvica crônica, dispareunia e infertilidade, impactando significativamente a qualidade de vida. O diagnóstico precoce e preciso é fundamental para o manejo adequado e para minimizar as complicações, especialmente a infertilidade. A fisiopatologia da endometriose ainda não é completamente compreendida, mas a teoria da menstruação retrógrada é a mais aceita. O diagnóstico é baseado na tríade de sintomas clínicos, achados de imagem e, em alguns casos, marcadores bioquímicos. A ultrassonografia transvaginal é o método de imagem de primeira linha para identificar endometriomas e outras lesões. O CA 125, embora inespecífico, pode ser um auxiliar diagnóstico, especialmente em casos de doença moderada a grave. No entanto, é crucial lembrar que o diagnóstico definitivo requer a visualização direta das lesões e a confirmação histológica, geralmente por laparoscopia. O tratamento da endometriose pode ser clínico (analgésicos, terapia hormonal) ou cirúrgico, dependendo da gravidade dos sintomas, localização das lesões e desejo de gravidez da paciente. O prognóstico varia, mas a doença é crônica e pode recorrer. É importante que os residentes compreendam a complexidade do diagnóstico e manejo da endometriose, evitando a supervalorização de exames isolados e priorizando uma abordagem integrada que considere o impacto da doença na vida da paciente.
O CA 125 é um marcador tumoral que pode estar elevado em pacientes com endometriose, especialmente em casos de doença mais extensa ou endometriomas. Embora não seja específico para endometriose e possa estar elevado em outras condições benignas e malignas, sua elevação em conjunto com a clínica e achados de imagem reforça a suspeita diagnóstica.
Endometriomas tipicamente aparecem na ultrassonografia transvaginal como cistos ovarianos com conteúdo ecogênico homogêneo (aspecto de 'vidro moído' ou 'chocolate'), paredes espessas e regulares, e frequentemente com áreas de sombreamento acústico posterior. O estudo Doppler geralmente mostra fluxo vascular periférico, mas sem fluxo interno significativo.
O diagnóstico definitivo de endometriose é histológico porque a doença é caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. Embora a clínica e os exames de imagem sejam altamente sugestivos, a biópsia do tecido suspeito, geralmente obtida por laparoscopia, é necessária para confirmar a presença de glândulas e estroma endometrial ectópicos.
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