Endometriose: Diagnóstico por Laparoscopia e Sintomas

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente S.R.S., 38 anos, com queixa de dispareunia de profundidade há alguns anos. Não faz uso de contracepção, relata ciclos menstruais regulares, é nuligesta, pois nunca pretendeu ter filhos. No exame físico percebe-se o útero em retroversoflexão, mobilidade reduzida e espessamento com dor no anexo esquerdo, apresentando dimensões aumentadas. Baseando-se neste resumo clínico, assinale a alternativa CORRETA entre as abaixo relacionadas:

Alternativas

  1. A) Podemos elaborar a hipótese diagnóstica de Doença Inflamatória Pélvica, o exame que confirmará esta hipótese será a histeroscopia.
  2. B) Impõe-se a suspeita de endometriose e o exame que poderá confirmar esta hipótese será a dosagem sérica do CA-125 elevada.
  3. C) No ultrassom achado de cisto de conteúdo espesso em ovário, com pouca vascularização ao Doppler, confirma a hipótese de salpingite crônica.
  4. D) Se houver na laparoscopia ou laparotomia, a visualização de lesões peritoneais brancas ou pretas e falhas/buracos no peritônio deve-se pensar em endometriose.

Pérola Clínica

Dispareunia de profundidade + útero fixo + dor anexial → Alta suspeita de endometriose. Laparoscopia é padrão-ouro para confirmação visual.

Resumo-Chave

A dispareunia de profundidade, útero em retroversoflexão com mobilidade reduzida e dor/espessamento anexial são achados clássicos que levantam forte suspeita de endometriose. A laparoscopia ou laparotomia com visualização direta de lesões peritoneais (brancas, pretas, falhas) é o método mais definitivo para confirmar o diagnóstico.

Contexto Educacional

A endometriose é uma doença crônica e complexa, caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva. Os sintomas são variados, mas a dispareunia de profundidade, dismenorreia intensa e dor pélvica crônica são queixas comuns. A nuliparidade e a ausência de uso de contracepção podem ser fatores associados ou simplesmente características da paciente, mas não são diagnósticas por si só. A suspeita clínica é o primeiro passo e é fortemente levantada por uma anamnese detalhada e um exame físico cuidadoso. No exame físico, achados como útero em retroversoflexão com mobilidade reduzida, espessamento e dor no anexo esquerdo com dimensões aumentadas são sinais clássicos de endometriose, indicando a presença de aderências e implantes endometrióticos que causam fixação dos órgãos pélvicos e dor. Esses achados são cruciais para direcionar a investigação. É importante descartar outras condições como Doença Inflamatória Pélvica (DIP) ou outras massas anexiais, mas o quadro clínico da paciente aponta fortemente para endometriose. Embora exames de imagem como o ultrassom transvaginal e a ressonância magnética da pelve sejam valiosos para identificar endometriomas e lesões de endometriose profunda, o diagnóstico definitivo da endometriose, especialmente das lesões peritoneais, é feito pela visualização direta durante a laparoscopia ou laparotomia, com confirmação histopatológica. A presença de lesões peritoneais de diversas colorações (brancas, vermelhas, pretas, ou falhas/buracos no peritônio) é patognomônica da doença. O CA-125, por sua vez, não é um marcador diagnóstico confiável para endometriose, tendo baixa sensibilidade e especificidade, sendo mais útil no acompanhamento da doença.

Perguntas Frequentes

Quais sintomas e achados ao exame físico sugerem fortemente endometriose?

Sintomas como dispareunia de profundidade, dismenorreia intensa, dor pélvica crônica e infertilidade são sugestivos. Ao exame físico, achados como útero fixo em retroversoflexão, nódulos no ligamento uterossacro, dor à palpação de anexos e espessamento anexial aumentam a suspeita de endometriose.

Por que a laparoscopia é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico de endometriose?

A laparoscopia permite a visualização direta das lesões endometrióticas no peritônio e em outros órgãos pélvicos, além da coleta de biópsias para confirmação histopatológica. Ela é crucial para identificar lesões que podem não ser visíveis em exames de imagem e para estadiar a doença com precisão.

Qual o papel do CA-125 e do ultrassom no diagnóstico da endometriose?

O CA-125 tem baixa especificidade e sensibilidade para o diagnóstico de endometriose, sendo mais útil no monitoramento. O ultrassom transvaginal é um bom exame inicial para identificar endometriomas ovarianos ou lesões de endometriose profunda em locais específicos, mas pode não detectar lesões peritoneais superficiais, não confirmando a hipótese de salpingite crônica apenas por cisto espesso.

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