FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023
A endometriose é uma doença que, ainda em nossos dias, tem seu diagnóstico postergado às vezes por anos até que se possa iniciar a terapêutica adequada. Frente a essa afirmação, assinale a alternativa correta.
Sinais de endometriose ao exame físico incluem rugosidades enegrecidas no fundo de saco posterior e útero com pouca mobilidade.
O diagnóstico de endometriose é frequentemente postergado devido à inespecificidade dos sintomas e à dificuldade de confirmação. O exame físico ginecológico, embora não seja definitivo, pode fornecer pistas importantes, como nódulos ou rugosidades no fundo de saco posterior e útero fixo ou retrovertido.
A endometriose é uma doença crônica e inflamatória caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Sua fisiopatologia envolve a teoria da menstruação retrógrada, metaplasia celômica e disseminação linfática/hematogênica. O diagnóstico é frequentemente tardio, com uma média de 7 a 10 anos entre o início dos sintomas e a confirmação, devido à inespecificidade das queixas e à complexidade diagnóstica. Os sintomas da endometriose são variados e podem incluir dismenorreia intensa, dor pélvica crônica, dispareunia, infertilidade, e sintomas intestinais ou urinários cíclicos. O exame físico ginecológico é uma etapa crucial na suspeita diagnóstica. Achados como rugosidades enegrecidas ou lesões azuladas no fundo de saco posterior ao exame especular, ligamentos uterossacros espessados e dolorosos à palpação, e um útero fixo ou com mobilidade reduzida, são altamente sugestivos de endometriose. É fundamental que o ginecologista valorize essas queixas e achados. Embora a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética pélvica sejam exames de imagem valiosos para identificar endometriomas e lesões profundas, o diagnóstico definitivo da endometriose ainda é histopatológico, obtido por biópsia durante a laparoscopia. A laparoscopia não só confirma o diagnóstico, mas também permite o estadiamento da doença e o tratamento cirúrgico das lesões. O tratamento pode ser clínico (hormonal, analgésicos) ou cirúrgico, visando o alívio da dor e a melhora da fertilidade.
Os sintomas mais comuns incluem dismenorreia intensa e progressiva, dor pélvica crônica acíclica, dispareunia profunda, disúria e disquesia cíclicas, e infertilidade. A intensidade dos sintomas nem sempre se correlaciona com a extensão da doença.
Ao exame especular, podem-se observar lesões azuladas ou enegrecidas no colo uterino ou fundo de saco posterior. No toque vaginal, podem ser palpados nódulos ou espessamentos no fundo de saco, ligamentos uterossacros dolorosos e espessados, e um útero fixo ou com pouca mobilidade.
A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal é um exame de imagem de primeira linha para identificar endometriomas ovarianos e lesões profundas. A ressonância magnética também é útil. No entanto, a laparoscopia com biópsia das lesões ainda é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo, permitindo a visualização direta e o tratamento das lesões.
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