HSD - Hospital São Domingos (MA) — Prova 2020
Paciente de 33 anos com dismenorreia há 5 anos. Refere ainda dispareunia profunda e infertilidade primária há 3 anos. Ao exame físico: abdome inocente. Exame especular sem alterações. Toque vaginal doloroso à mobilização do colo uterino. Qual dos exames de imagem seria mais adequado para a elucidação da principal suspeita clínica?
Dismenorreia + dispareunia profunda + infertilidade + dor à mobilização do colo → forte suspeita de endometriose → USG transvaginal com preparo intestinal.
A tríade de dismenorreia, dispareunia profunda e infertilidade primária é altamente sugestiva de endometriose. O toque vaginal doloroso à mobilização do colo uterino reforça essa suspeita. O ultrassom transvaginal com preparo intestinal é o exame de imagem mais adequado para identificar focos de endometriose profunda, especialmente em ligamentos uterossacros e septo retovaginal, que podem não ser visíveis em um ultrassom convencional.
A endometriose é uma doença crônica e inflamatória caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. É uma das principais causas de dor pélvica crônica, dismenorreia e infertilidade, impactando significativamente a qualidade de vida das pacientes. O diagnóstico precoce é fundamental para um manejo eficaz e para preservar a fertilidade, mas muitas vezes é tardio devido à inespecificidade dos sintomas e à dificuldade diagnóstica. O quadro clínico apresentado pela paciente (dismenorreia profunda, dispareunia profunda e infertilidade primária) é altamente sugestivo de endometriose, especialmente a forma profunda. O exame físico, com toque vaginal doloroso à mobilização do colo uterino, reforça essa suspeita, indicando a possível presença de nódulos ou aderências pélvicas. A investigação por imagem é crucial para confirmar o diagnóstico e mapear a extensão da doença. Entre os exames de imagem, o ultrassom transvaginal com preparo intestinal é considerado a primeira linha para o diagnóstico de endometriose profunda, devido à sua alta sensibilidade e especificidade quando realizado por um examinador experiente. O preparo intestinal permite uma melhor visualização das lesões no septo retovaginal, ligamentos uterossacros e parede intestinal. A ressonância magnética da pelve é uma excelente ferramenta complementar, especialmente para lesões mais complexas ou em locais de difícil acesso pelo ultrassom. A histerossalpingografia, embora útil na investigação de infertilidade para avaliar a permeabilidade tubária, não é o exame de escolha para o diagnóstico da endometriose em si.
Os sintomas clássicos da endometriose incluem dismenorreia (dor menstrual) intensa e progressiva, dor pélvica crônica não cíclica, dispareunia profunda (dor durante a relação sexual), disquesia (dor ao evacuar) e disúria (dor ao urinar), especialmente durante o período menstrual. A infertilidade primária também é uma manifestação comum.
O ultrassom transvaginal com preparo intestinal (esvaziamento do reto e cólon sigmoide) melhora a visualização das estruturas pélvicas e permite uma melhor detecção de focos de endometriose profunda, especialmente aqueles localizados nos ligamentos uterossacros, septo retovaginal e na parede intestinal. A ressonância magnética da pelve também é uma excelente opção complementar.
A endometriose pode causar infertilidade por diversos mecanismos, incluindo distorção da anatomia pélvica (aderências), obstrução das tubas uterinas, inflamação crônica no peritônio pélvico que afeta a função ovariana e tubária, e alterações na qualidade dos óvulos e na receptividade endometrial. O tratamento da endometriose pode melhorar as chances de concepção.
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