Endocardite Infecciosa: Quando Indicar Ecocardiograma Transesofágico?

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem de 46 anos de idade refere quadro de fadiga, adinamia e dispneia há 4 semanas. O histórico médico é significativo para uma válvula aórtica bicúspide, mas não toma medicamentos. Exame físico: PA: 118 x 58 mmHg, FC: 92 bpm, T: 38,1 ºC, FR: 18 ipm e SatO2: 93%; cardíaco: sopro diastólico (2+/6+) em foco aórtico e borda esternal inferior esquerda; hemorragia conjuntival no olho esquerdo. Leucograma: 15000/mm³ e 3 pares de hemoculturas são positivos para cocos gram-positivos. ECG: ritmo sinusal, BAV de 1º grau e QRS normal. Nesse momento, o exame complementar mais apropriado é

Alternativas

  1. A) angiografia cardíaca percutânea.
  2. B) angiotomografia de coronárias.
  3. C) ecocardiograma transesofágico.
  4. D) ecocardiograma transtorácico.
  5. E) ressonância magnética cardíaca.

Pérola Clínica

Suspeita alta de endocardite + hemoculturas positivas + cardiopatia prévia → ETE para confirmação e avaliação de complicações.

Resumo-Chave

Diante de alta suspeita clínica de endocardite infecciosa (febre, sopro novo/alterado, fenômenos embólicos/imunológicos, hemoculturas positivas) e fatores de risco (valva bicúspide), o ecocardiograma transesofágico (ETE) é superior ao transtorácico (ETT) para detectar vegetações e complicações, como abscessos ou fístulas.

Contexto Educacional

A endocardite infecciosa é uma condição séria que exige diagnóstico rápido e preciso. A suspeita clínica é fundamental e baseia-se em febre, sopros cardíacos novos ou alterados, fenômenos embólicos ou imunológicos, e fatores de risco como cardiopatias pré-existentes (ex: valva aórtica bicúspide) ou uso de drogas intravenosas. O diagnóstico definitivo frequentemente requer a combinação de hemoculturas positivas e evidência ecocardiográfica de vegetações ou outras lesões valvares. Embora o ecocardiograma transtorácico (ETT) seja o exame inicial, o ecocardiograma transesofágico (ETE) possui maior sensibilidade e especificidade, sendo o exame de escolha em pacientes com alta probabilidade clínica, ETT inconclusivo ou negativo, ou para avaliar complicações como abscessos e fístulas. Neste caso, a presença de valva aórtica bicúspide, sopro diastólico (sugestivo de insuficiência aórtica), febre prolongada, hemoculturas positivas e um BAV de 1º grau (indicando possível extensão da infecção) eleva a probabilidade de endocardite, tornando o ETE o exame mais apropriado para confirmar o diagnóstico e guiar a conduta terapêutica.

Perguntas Frequentes

Quando o ecocardiograma transesofágico é preferível ao transtorácico na endocardite?

O ETE é preferível em casos de alta suspeita clínica, valvas protéticas, cardiopatias congênitas complexas, obesidade, ou quando o ETT é inconclusivo ou negativo, devido à sua maior sensibilidade para detectar vegetações e complicações.

Quais achados clínicos sugerem endocardite infecciosa neste caso?

A febre prolongada, sopro diastólico novo/alterado (sugestivo de insuficiência aórtica), hemorragia conjuntival (fenômeno embólico/imunológico), hemoculturas positivas e a presença de valva aórtica bicúspide (fator de risco) são altamente sugestivos.

Por que o BAV de 1º grau é relevante na endocardite?

Bloqueios atrioventriculares, mesmo de primeiro grau, podem indicar extensão da infecção para o anel valvar e o sistema de condução, uma complicação grave da endocardite aórtica que pode levar a abscessos e fístulas.

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