Embolia Pulmonar: Diagnóstico em Pacientes de Alto Risco

HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 55 anos, hipertenso, diabético e obeso, dá entrada no Pronto Atendimento com queixa de dor torácica ventilatório-dependente com irradiação para dorso, de início súbito e associado à dispneia intensa e à hemoptise. Está no 4º dia de pós-operatório de artroplastia de joelho, permanecendo em repouso desde a cirurgia. O ECG mostra taquicardia sinusal. Sobre esse caso, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) O dímero D deve ser solicitado e, caso negativo, excluir com segurança o diagnóstico de embolia pulmonar. 
  2. B) Uma troponina positiva fecha o diagnóstico de síndrome coronariana aguda.
  3. C) Deve ser solicitada uma angiotomografia de tórax ou cintilografia de ventilação- perfusão, dependendo da disponibilidade no serviço médico.
  4. D) Caso se confirme embolia pulmonar, o tratamento com varfarina só deve ser iniciado após 3 a 5 dias de anticoagulação com heparina não fracionada ou de baixo peso molecular.

Pérola Clínica

Suspeita de TEP com alta probabilidade clínica → Angio-TC de tórax ou Cintilografia V/Q para confirmação.

Resumo-Chave

Em pacientes com alta probabilidade clínica de TEP (como neste caso, pós-operatório, imobilização, sintomas clássicos), exames de imagem como a angiotomografia de tórax ou a cintilografia de ventilação-perfusão são essenciais para o diagnóstico. O dímero D tem alto valor preditivo negativo em baixa probabilidade, mas não exclui TEP em alta probabilidade.

Contexto Educacional

A embolia pulmonar (TEP) é uma condição grave e potencialmente fatal, sendo uma das principais causas de morte hospitalar evitável. É crucial para residentes reconhecer os fatores de risco, como cirurgias recentes (especialmente ortopédicas), imobilização prolongada, câncer, trombofilias e doenças cardiovasculares, e suspeitar do diagnóstico em pacientes com dispneia súbita, dor torácica e taquicardia. A apresentação clínica pode ser inespecífica, exigindo um alto índice de suspeição. O diagnóstico da TEP baseia-se na avaliação da probabilidade clínica (escores de Wells ou Geneva), dosagem do dímero D e exames de imagem. A angiotomografia de tórax é o padrão-ouro, permitindo a visualização direta dos trombos. A cintilografia de ventilação-perfusão (V/Q) é uma alternativa, especialmente para pacientes com contraindicações ao contraste iodado. A troponina pode estar elevada em TEP maciça devido à sobrecarga do ventrículo direito, mas não é diagnóstica de TEP e não exclui síndrome coronariana aguda. O tratamento da TEP envolve anticoagulação, geralmente iniciada com heparina (não fracionada ou de baixo peso molecular) e sobreposta com varfarina, que é mantida após a estabilização do INR. Em casos de TEP maciça com instabilidade hemodinâmica, a trombólise ou embolectomia podem ser indicadas. A profilaxia da trombose venosa profunda (TVP) é fundamental em pacientes cirúrgicos e imobilizados para prevenir a TEP.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de embolia pulmonar?

Os principais sinais e sintomas incluem dispneia súbita, dor torácica pleurítica (ventilatório-dependente), taquicardia, tosse e, em casos mais graves, hemoptise e hipotensão. A apresentação clínica pode ser variada e inespecífica.

Quando a angiotomografia de tórax é o exame de escolha para TEP?

A angiotomografia de tórax é o exame de escolha para TEP na maioria dos casos, especialmente em pacientes com alta probabilidade clínica e sem contraindicações ao contraste iodado. Ela permite visualizar diretamente os trombos nas artérias pulmonares.

Qual o papel do dímero D no diagnóstico de embolia pulmonar?

O dímero D é útil para excluir TEP em pacientes com baixa ou intermediária probabilidade pré-teste, devido ao seu alto valor preditivo negativo. No entanto, em pacientes com alta probabilidade clínica, um dímero D negativo não é suficiente para descartar o diagnóstico, e a investigação por imagem é necessária.

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