DRGE: Investigação Diagnóstica e Manejo Cirúrgico

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015

Enunciado

Antônio Carlos, 43 anos, refere que apresenta, há muitos anos, "nem se lembra desde quando" (sic), azia. Há um ano, notou que a comida parece que "volta até a boca" (sic). Ele iniciou o tratamento com dose plena de IBP (inibidor de bomba de prótons) por seis semanas, mas relata que o remédio não alterou seus sintomas. Sobre a investigação diagnóstica e avaliação de pacientes com queixa de refluxo gastroesofágico. Analise as proposições a seguir: I. A endoscopia digestiva alta é um exame fundamental nesses doentes tanto para a avaliação da mucosa esofágica como para excluir outras doenças, como tumores. Se a mucosa estiver toda normal, pode-se excluir a doença do refluxo esofágico. II. Um individuo saudável pode apresentar aberturas espontâneas do esfíncter esofágico inferior ocasionalmente, sem isso indicar uma situação patológica. III. O esôfago de Barret é reconhecido como a presença de epitélio do tipo escamoso no esôfago distal. IV. Em um paciente com indicação de tratamento operatório para a Doença do Refluxo Gastroesofágico, o resultado do exame de manometria esofágica pode modificar a técnica utilizada durante a cirurgia (tipo de válvula antirrefluxo). Estão CORRETAS as proposições:

Alternativas

  1. A) I, II e III.
  2. B) III e IV.
  3. C) I, II e IV.
  4. D) I e III.
  5. E) II e IV.

Pérola Clínica

DRGE: Endoscopia normal NÃO exclui; Manometria guia cirurgia; Esôfago de Barrett = metaplasia colunar.

Resumo-Chave

A endoscopia digestiva alta normal não exclui DRGE, pois muitos pacientes têm refluxo sem esofagite erosiva. O esôfago de Barrett é metaplasia colunar, não escamosa. A manometria esofágica é fundamental para avaliar a motilidade esofágica e guiar a técnica cirúrgica na DRGE, especialmente na escolha do tipo de fundoplicatura.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou lesões. Sua prevalência é alta, e o diagnóstico baseia-se na história clínica, resposta a inibidores da bomba de prótons (IBP) e exames complementares. A refratariedade ao IBP, como no caso apresentado, indica a necessidade de investigação mais aprofundada. A fisiopatologia da DRGE envolve disfunção do esfíncter esofágico inferior (EEI), clareamento esofágico inadequado e hérnia de hiato. A endoscopia digestiva alta é importante para avaliar a mucosa esofágica e excluir outras patologias, como tumores, mas uma endoscopia normal não afasta a DRGE (DRGE não erosiva). O esôfago de Barrett, uma complicação da DRGE, é a metaplasia do epitélio escamoso esofágico distal para epitélio colunar especializado, com risco de progressão para adenocarcinoma. A manometria esofágica avalia a função do EEI e a motilidade esofágica, sendo crucial para o planejamento cirúrgico, pois disfunções motoras podem influenciar a escolha da técnica de fundoplicatura. O tratamento da DRGE pode ser clínico (IBP, mudanças de estilo de vida) ou cirúrgico (fundoplicatura). A indicação cirúrgica é considerada para pacientes com sintomas refratários ao tratamento clínico, dependência de IBP, complicações como esofagite grave ou Esôfago de Barrett, ou desejo do paciente. A avaliação pré-operatória com manometria e pHmetria/impedanciometria é essencial para selecionar os candidatos ideais e otimizar os resultados cirúrgicos, evitando complicações como disfagia pós-operatória.

Perguntas Frequentes

Quando a endoscopia digestiva alta é indicada na investigação da DRGE?

A endoscopia é indicada para avaliar a mucosa esofágica, identificar esofagite, estenoses, Esôfago de Barrett e excluir outras doenças, como tumores, especialmente em pacientes com sintomas de alarme ou refratários ao tratamento inicial.

Qual a importância da manometria esofágica antes da cirurgia para DRGE?

A manometria esofágica avalia a função do esfíncter esofágico inferior e a motilidade do corpo esofágico. É crucial para identificar distúrbios motores que podem contraindicar ou modificar a técnica da fundoplicatura, prevenindo disfagia pós-operatória.

O que é o Esôfago de Barrett e qual sua relevância clínica?

O Esôfago de Barrett é a metaplasia do epitélio escamoso estratificado do esôfago distal para epitélio colunar especializado, uma complicação da DRGE crônica. Sua relevância clínica reside no risco aumentado de progressão para adenocarcinoma esofágico.

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