DPOC: Entenda o Diagnóstico pela Espirometria

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Uma mulher com 54 anos de idade, tabagista, cujo consumo é de 30 maços de cigarro por ano, comparece à consulta por dispneia e tosse que, segundo relata, se iniciaram há aproximadamente 1 ano. A paciente traz uma espirometria com uma razão entre o volume expiratório forçado no primeiro segundo e a capacidade vital forçada de 0.7 e um volume expiratório forçado no primeiro segundo de 80% do predito, sem resposta ao broncodilatador. O exame foi realizado com técnica correta.Considerando os dados apresentados, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A)  a falta de resposta ao broncodilatador sugere o diagnóstico de asma nessa paciente.
  2. B)  os resultados da espirometria estabelecem o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica nessa paciente.
  3. C) a espirometria precisa ser repetida para se confirmar o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica nessa paciente.
  4. D) os valores do volume expiratório forçado no primeiro segundo afastam o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica nessa paciente.

Pérola Clínica

DPOC = VEF1/CVF < 0.7 pós-broncodilatador, mesmo com VEF1 normal (GOLD 1).

Resumo-Chave

O diagnóstico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é confirmado pela espirometria que demonstra obstrução persistente ao fluxo aéreo, definida por uma razão VEF1/CVF pós-broncodilatador menor que 0.7. A ausência de resposta ao broncodilatador reforça a irreversibilidade da obstrução, característica da DPOC, diferenciando-a da asma.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição comum, prevenível e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo devido a anormalidades das vias aéreas e/ou alvéolos, geralmente causadas por exposição significativa a partículas ou gases nocivos. O tabagismo é o principal fator de risco. O diagnóstico precoce é fundamental para retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, sendo um tema recorrente em provas de residência médica. O diagnóstico de DPOC é estabelecido pela espirometria, que deve ser realizada após a administração de um broncodilatador para avaliar a reversibilidade da obstrução. Uma razão VEF1/CVF pós-broncodilatador inferior a 0.7 confirma a limitação persistente do fluxo aéreo. O VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo) é então utilizado para classificar a gravidade da obstrução (GOLD 1 a 4). A presença de sintomas como dispneia, tosse crônica e produção de escarro, especialmente em indivíduos com histórico de tabagismo ou exposição a outros irritantes pulmonares, deve levantar a suspeita clínica. O manejo da DPOC envolve cessação do tabagismo, vacinação, reabilitação pulmonar e tratamento farmacológico com broncodilatadores (beta-agonistas de longa ação - LABA e/ou antimuscarínicos de longa ação - LAMA). Corticosteroides inalatórios (CI) são adicionados em casos de exacerbações frequentes ou eosinofilia. O tratamento é individualizado com base na gravidade da obstrução, frequência de exacerbações e impacto dos sintomas, visando aliviar os sintomas, reduzir a frequência e gravidade das exacerbações e melhorar a tolerância ao exercício.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios espirométricos para o diagnóstico de DPOC?

O principal critério espirométrico para o diagnóstico de DPOC é uma razão VEF1/CVF pós-broncodilatador menor que 0.7. Este valor indica obstrução persistente ao fluxo aéreo, independentemente do valor absoluto do VEF1.

Por que a falta de resposta ao broncodilatador é importante no diagnóstico de DPOC?

A falta de resposta significativa ao broncodilatador na espirometria é crucial porque demonstra a irreversibilidade da obstrução das vias aéreas, uma característica distintiva da DPOC. Isso ajuda a diferenciar a DPOC de outras condições obstrutivas, como a asma, que geralmente apresenta reversibilidade.

Um VEF1 normal exclui o diagnóstico de DPOC?

Não, um VEF1 normal (acima de 80% do predito) não exclui o diagnóstico de DPOC. O critério mais importante é a razão VEF1/CVF pós-broncodilatador. Pacientes com VEF1/CVF < 0.7 e VEF1 ≥ 80% do predito são classificados como DPOC estágio GOLD 1 (leve).

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