PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2024
Um Médico de Família, durante o atendimento de um paciente hipertenso, recebe os exames complementares de rotina para Hipertensão Arterial Sistêmica. Dentre os exames, com a creatinina de 1.1 mg/dL foi possível estimar uma taxa de filtração glomerular pela equação CKD-EPI (revisada em 2021 pela National Kidney Foundation). Taxa de filtração encontrada de 72 mL/min/1.73 m2 . Ademais, seu exame de urina dos elementos anormais do sedimento (EAS), não revelou hematúria ou proteinúria. Todavia, o paciente mostrou o exame a um amigo, que trabalha na área da saúde, que o assustou com um possível diagnóstico e o orientou a fazer mais alguns exames que traz hoje. O paciente fez uma ultrassonografia de rins e vias urinárias e uma relação albumina/creatinina urinária (RAC) e relação proteína/creatinina urinária. A ultrassonografia mostrou rins de dimensões e morfologia normais. RAC estava em 6 mg/g de creatinina (valor de referência < 30 mg/g de creatinina) e relação proteína/creatinina urinária de 0.06 (VR < 0.20). Sobre a preocupação do paciente com uma possível doença renal crônica (DRC) e ao nível de prevenção em saúde que poderia ter sido aplicado caso procurasse o médico antes, para mostrar os primeiros exames, tem-se que:
DRC = TFG < 60 mL/min/1,73m² ou marcadores de lesão renal por > 3 meses.
O paciente não possui Doença Renal Crônica, pois sua TFG é > 60 mL/min/1,73m² e não há marcadores de lesão renal (albuminúria e proteinúria normais). A prevenção quaternária seria aplicada ao evitar exames e diagnósticos desnecessários, protegendo o paciente de intervenções médicas excessivas ou iatrogenia.
A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição de saúde pública com alta prevalência, especialmente em pacientes com hipertensão arterial sistêmica (HAS) e diabetes mellitus. O diagnóstico precoce e o estadiamento correto são fundamentais para o manejo e para retardar a progressão da doença. Os critérios diagnósticos da DRC, conforme as diretrizes KDIGO, são baseados na taxa de filtração glomerular (TFG) e na presença de marcadores de lesão renal, ambos persistentes por mais de 3 meses. Neste caso, o paciente apresenta uma TFG de 72 mL/min/1,73m², que está acima do limiar de 60 mL/min/1,73m² para o diagnóstico de DRC. Além disso, os exames de urina (EAS, relação albumina/creatinina urinária e relação proteína/creatinina urinária) estão dentro dos limites da normalidade, indicando ausência de albuminúria ou proteinúria, que seriam marcadores de lesão renal. A ultrassonografia renal também não revelou alterações estruturais. Portanto, o paciente não preenche os critérios para o diagnóstico de DRC. A situação ilustra a importância da prevenção quaternária, que é o conjunto de ações para identificar um paciente em risco de iatrogenia, protegê-lo de intervenções médicas desnecessárias e sugerir intervenções eticamente aceitáveis. Ao tranquilizar o paciente e confirmar a ausência de DRC, o médico evita a ansiedade, a realização de exames adicionais e possíveis tratamentos desnecessários, que poderiam levar a efeitos adversos ou sobrecarga do sistema de saúde. A prevenção secundária, por outro lado, estaria relacionada ao rastreamento e controle da HAS para prevenir o desenvolvimento da DRC, o que já estava sendo feito com os exames de rotina.
O diagnóstico de DRC requer a presença de lesão renal ou taxa de filtração glomerular (TFG) < 60 mL/min/1,73m² por um período de 3 meses ou mais. Lesão renal é definida por albuminúria (RAC > 30 mg/g), alterações no sedimento urinário, distúrbios tubulares, alterações estruturais ou histológicas, ou história de transplante renal.
A prevenção quaternária visa proteger os indivíduos de intervenções médicas desnecessárias ou excessivas, evitando a iatrogenia e o sobrediagnóstico. Neste caso, o médico, ao tranquilizar o paciente e confirmar a ausência de DRC, estaria aplicando a prevenção quaternária, impedindo a realização de exames adicionais e tratamentos que não seriam benéficos e poderiam causar ansiedade ou efeitos adversos.
A prevenção secundária foca na detecção precoce e tratamento de doenças já estabelecidas para evitar sua progressão e complicações (ex: rastreamento de HAS e DM para prevenir DRC). A prevenção quaternária, por sua vez, busca proteger o paciente de intervenções médicas excessivas, desnecessárias ou potencialmente prejudiciais, evitando o sobrediagnóstico e o sobretratamento.
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