Doença Renal Crônica: Critérios Diagnósticos e Estadiamento

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 65 anos de idade compareceu ao ambulatório para entregar o resultado de exames de rotina solicitados na consulta anterior. No momento, está assintomático e não tem história de comorbidades conhecidas. Abaixo, podem ser vistos os resultados dos exames atuais e dos exames prévios: Exames atuais: Hb 13,5g/dL; leucócitos 10.760/mm³; plaquetas: 152.000/mm³; Cr 0,7mg/dL (ClCr: 102mL/min/1,73m²); ácido úrico 6,1mg/dL e urina tipo 1 com pH 6; proteína 0,4g/L e nitrito negativo. Exames de 6 meses atrás: Hb 13g/dL; leucócitos 8.490/mm³; plaquetas 155.000/mm³; creatinina 0,78mg/dL (ClCr: 99mL/min/1,73m²); ácido úrico 5mg/dL e urina tipo 1 com pH 6; proteína 0,35g/L e nitrito negativo. Qual é o diagnóstico que deve ser informado ao paciente após a revisão dos exames?

Alternativas

  1. A) Exames sem alterações
  2. B) Uretrite subclínica
  3. C) Anemia de doença crônica
  4. D) Hiperuricemia
  5. E) Doença renal crônica

Pérola Clínica

DRC = TFG < 60 mL/min/1,73m² por > 3 meses OU marcadores de lesão renal por > 3 meses.

Resumo-Chave

O diagnóstico de Doença Renal Crônica (DRC) é estabelecido pela presença de lesão renal ou TFG < 60 mL/min/1,73m² por um período igual ou superior a 3 meses. A proteinúria persistente, mesmo em níveis baixos, é um marcador de lesão renal importante e deve ser valorizada, mesmo com TFG acima de 60 mL/min/1,73m².

Contexto Educacional

A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição de saúde pública global, caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função renal. Sua prevalência é crescente, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades como hipertensão e diabetes. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para retardar a progressão e prevenir complicações cardiovasculares, que são a principal causa de mortalidade nesses pacientes. A compreensão dos critérios diagnósticos e do estadiamento é fundamental para todos os profissionais de saúde. O diagnóstico de DRC é estabelecido pela presença de lesão renal ou taxa de filtração glomerular (TFG) < 60 mL/min/1,73m² por um período igual ou superior a 3 meses. A lesão renal pode ser evidenciada por albuminúria (relação albumina/creatinina urinária > 30 mg/g), alterações no sedimento urinário, distúrbios tubulares, alterações histológicas ou estruturais identificadas por imagem, ou história de transplante renal. A TFG é geralmente estimada por equações como CKD-EPI ou MDRD, que utilizam a creatinina sérica, idade, sexo e etnia. A proteinúria, mesmo em níveis baixos, é um marcador sensível de lesão renal e um preditor independente de progressão da doença. O tratamento da DRC visa controlar a progressão da doença, manejar as comorbidades e prevenir complicações. Isso inclui controle rigoroso da pressão arterial, glicemia, dislipidemia, e o uso de inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (iSRAA) em pacientes com proteinúria. O prognóstico da DRC é variável e depende do estágio ao diagnóstico, da taxa de progressão e da presença de comorbidades. A educação do paciente sobre a doença e a adesão ao tratamento são pilares para um melhor desfecho. A identificação de proteinúria persistente, mesmo com TFG normal, é um ponto de atenção para residentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o diagnóstico de Doença Renal Crônica?

O diagnóstico de DRC baseia-se na presença de lesão renal ou taxa de filtração glomerular (TFG) < 60 mL/min/1,73m² por um período igual ou superior a 3 meses. Marcadores de lesão renal incluem albuminúria, alterações no sedimento urinário, distúrbios tubulares, alterações histológicas ou estruturais, e história de transplante renal.

Como a proteinúria se encaixa no diagnóstico de DRC?

A proteinúria, especialmente a albuminúria, é um marcador crucial de lesão renal. A presença de proteinúria persistente por mais de 3 meses, mesmo com TFG > 60 mL/min/1,73m², já é suficiente para diagnosticar DRC. Sua quantificação é importante para o estadiamento e prognóstico.

Qual a importância da TFG estimada no diagnóstico e estadiamento da DRC?

A TFG estimada é fundamental para classificar a gravidade da DRC. Valores abaixo de 60 mL/min/1,73m² por mais de 3 meses confirmam o diagnóstico e indicam um estágio mais avançado da doença. Acompanhar a TFG ao longo do tempo permite monitorar a progressão da doença e guiar as intervenções terapêuticas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo