FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021
Em relação ao diagnóstico e tratamento da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), podemos afirmar que:
DRGE + sintomas típicos + Esofagite Los Angeles C/D na EDA = diagnóstico confirmado, pHmetria desnecessária.
Em pacientes com sintomas típicos de DRGE e achados de esofagite erosiva grave (Los Angeles C ou D) na Endoscopia Digestiva Alta (EDA), o diagnóstico de DRGE é confirmado, tornando a pHmetria de 24 horas desnecessária para fins diagnósticos.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas incômodos e/ou complicações. O diagnóstico da DRGE é frequentemente clínico, baseado na presença de sintomas típicos como pirose (azia) e regurgitação. No entanto, em algumas situações, exames complementares são necessários para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade e descartar complicações. A Endoscopia Digestiva Alta (EDA) é um exame fundamental na avaliação da DRGE, especialmente em pacientes com sintomas de alarme ou refratários ao tratamento. A classificação de Los Angeles para esofagite erosiva, que varia de A a D, descreve a extensão das lesões na mucosa esofágica. Nos casos de esofagite erosiva grave (Grau C ou D) associada a sintomas típicos, a EDA por si só é suficiente para confirmar o diagnóstico de DRGE, tornando a pHmetria de 24 horas desnecessária, pois a presença de lesões macroscópicas já atesta a doença. A pHmetria de 24 horas é um exame que mede a exposição do esôfago ao ácido e é indicada principalmente em pacientes com sintomas típicos sem esofagite na EDA, ou em casos de sintomas atípicos, ou para avaliar a eficácia do tratamento. Para o tratamento cirúrgico da DRGE, a manometria esofágica pré-operatória é indispensável. Ela avalia a função motora do esôfago, descartando distúrbios que poderiam levar a disfagia pós-operatória e auxiliando na escolha da técnica cirúrgica mais adequada. Residentes devem compreender a sequência diagnóstica e as indicações de cada exame para um manejo eficaz da DRGE.
A classificação de Los Angeles categoriza a esofagite erosiva em graus A, B, C e D, de acordo com a extensão e confluência das erosões na mucosa esofágica. Grau A são erosões pequenas e não confluentes, enquanto Grau D representa erosões confluentes que ocupam mais de 75% da circunferência esofágica, indicando doença grave.
A EDA não é indicada em todos os casos de DRGE, mas é essencial em pacientes com sintomas de alarme (disfagia, odinofagia, perda de peso, anemia, sangramento), naqueles com sintomas refratários ao tratamento empírico, ou para rastreamento de complicações como esôfago de Barrett em pacientes de risco.
A manometria esofágica pré-operatória é crucial para avaliar a motilidade esofágica e descartar distúrbios primários da motilidade (como acalasia) que poderiam contraindicar ou modificar a técnica cirúrgica. Ela também ajuda a identificar um esôfago hipocontrátil, que pode influenciar a escolha do tipo de fundoplicatura.
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