Doença Inflamatória Pélvica: Diagnóstico e Tratamento Atual

UNIFESO/HCTCO - Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Ana tem 22 anos, já teve múltiplos parceiros sexuais e raramente usa condon. Há 3 dias ela está com muito corrimento vaginal amarelado com odor fético, dor em baixo ventre, e como teve febre, foi a emergência. Ao ser examinada, estava um pouco taquicardia, 38ºC de temperatura axilar, ao exame especular confirma-se sua queixa de leucorreia purulenta, refere dor à palpação de baixo ventre além de dor a mobilização do colo do útero e dor à palpação dos anexos pelo toque bimanual. O diagnóstico e um tratamento adequado seriam:

Alternativas

  1. A) Vaginose bacterina e Metronidazol creme vaginal por 7 dias
  2. B) Doença inflamatória pélvica e Azitromicina 1g dose única + metronidazol creme vaginal por 7 dias
  3. C) Tricomoníase e Metronidazol oral 500mg 12/12h por 7 dias
  4. D) Doença inflamatória pélvica e Doxiciclina 100mg 12/12 por 14 dias + Metronidazol 500mg 12/12h por 14 dias + Ceftriaxona 250mg Intra-muscular em dose única
  5. E) Tricomoníase e Azitromicina 1g dose única

Pérola Clínica

DIP (dor pélvica, febre, leucorreia, dor à mobilização do colo) → Ceftriaxona IM + Doxiciclina VO + Metronidazol VO.

Resumo-Chave

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, frequentemente associada a múltiplos parceiros e uso inconsistente de preservativos. O diagnóstico é clínico, baseado em dor pélvica, dor à mobilização do colo e/ou anexos, e leucorreia. O tratamento empírico deve cobrir os principais patógenos (gonococos, clamídias e anaeróbios).

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que envolve a infecção e inflamação do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma das principais causas de infertilidade e dor pélvica crônica em mulheres jovens. A epidemiologia está fortemente ligada a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, e a múltiplos parceiros sexuais. O diagnóstico da DIP é predominantemente clínico, baseado em critérios mínimos como dor pélvica, dor à mobilização do colo uterino e/ou dor à palpação dos anexos. Critérios adicionais, como febre, leucocitose, aumento de PCR/VHS e leucorreia purulenta, aumentam a especificidade. A suspeita deve ser alta em mulheres sexualmente ativas com esses sintomas, especialmente se houver fatores de risco. O exame especular e o toque bimanual são essenciais para a avaliação. O tratamento da DIP deve ser iniciado empiricamente o mais rápido possível para prevenir sequelas. O esquema recomendado visa cobrir os principais patógenos: gonococos, clamídias e anaeróbios. A combinação de Ceftriaxona (IM dose única), Doxiciclina (VO por 14 dias) e Metronidazol (VO por 14 dias) é amplamente aceita. A internação hospitalar é indicada em casos de gravidez, abscesso tubo-ovariano, DIP grave, falha do tratamento ambulatorial ou impossibilidade de excluir outras emergências cirúrgicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios mínimos para o diagnóstico de DIP?

Os critérios mínimos para o diagnóstico de DIP incluem dor à palpação do abdome inferior, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação dos anexos. A presença de febre, leucorreia purulenta e taquicardia reforçam o diagnóstico.

Qual o esquema de tratamento ambulatorial recomendado para DIP?

O esquema de tratamento ambulatorial recomendado para DIP geralmente inclui Ceftriaxona 250mg IM em dose única (para gonococo), Doxiciclina 100mg VO 12/12h por 14 dias (para clamídia e outros) e Metronidazol 500mg VO 12/12h por 14 dias (para anaeróbios e tricomonas).

Quais são as principais complicações da Doença Inflamatória Pélvica?

As principais complicações da DIP incluem dor pélvica crônica, infertilidade tubária, gravidez ectópica e formação de abscesso tubo-ovariano. O tratamento precoce e adequado é crucial para prevenir essas sequelas.

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