Doença Celíaca: Padrão Ouro e Diagnóstico Definitivo

UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

Doente do sexo masculino, 25 anos, estudante, natural e residente na Bahia. Saudável até Novembro de 2015, busca assistência médica por diarreia aquosa, com mais de 10 evacuações/dia, surgindo igualmente durante a noite, sem sangue ou muco, mas por vezes com restos alimentares, associada a dores articulares (de predomínio nos joelhos e tornozelos), edemas dos membros inferiores e emagrecimento (cerca de 10 kg em 1 mês - de 69 Kg para 59 Kg - IMC:19,25kg/m2). Ao exame físico, apresentase desidratado +, anictérico. Tireoide palpável, com características normais. Sem alterações na ausculta pulmonar e cardíaca. O abdômen apresenta timpanismo generalizado à percussão, sem evidência de massas palpáveis. Edema bilateral dos membros inferiores com Godet+. Não foram identificadas adenomegalias cervicais, axilares ou inguinais. Não foram identificadas lesões cutâneas ou alterações dos fâneros. Através dos exames clínicos e laboratoriais foi diagnosticado como Doença Celíaca. O exame padrão ouro utilizado para este diagnóstico, é:

Alternativas

  1. A) Exame Histopatológico
  2. B) Anticorpo Antigliadina
  3. C) Anticorpo Antiendomísio
  4. D) Anticorpo Antitransglutaminase
  5. E) Teste de Schiller

Pérola Clínica

Doença Celíaca: Padrão ouro diagnóstico = Biópsia duodenal com atrofia vilositária.

Resumo-Chave

O diagnóstico definitivo da Doença Celíaca é estabelecido pela biópsia da mucosa do intestino delgado (duodeno), que revela atrofia vilositária, hiperplasia de criptas e aumento de linfócitos intraepiteliais, confirmando a enteropatia induzida pelo glúten. Os testes sorológicos são importantes para triagem, mas não são confirmatórios.

Contexto Educacional

A Doença Celíaca é uma enteropatia crônica autoimune do intestino delgado, desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. Sua prevalência tem aumentado globalmente e o espectro clínico é amplo, variando de formas assintomáticas a quadros graves de má absorção. É fundamental para residentes reconhecer suas diversas apresentações, que podem envolver múltiplos sistemas. A fisiopatologia envolve uma resposta imune mediada por células T à gliadina (componente do glúten), resultando em inflamação e dano à mucosa intestinal. O diagnóstico é suspeitado por sintomas clínicos e testes sorológicos (anti-tTG IgA, EMA IgA). É crucial que o paciente esteja consumindo glúten no momento dos exames para evitar falsos negativos, que podem atrasar o diagnóstico correto. O tratamento consiste na adesão rigorosa e vitalícia a uma dieta isenta de glúten, que leva à recuperação da mucosa intestinal e remissão dos sintomas. O acompanhamento inclui monitoramento sorológico e nutricional. O padrão ouro para o diagnóstico definitivo permanece a biópsia duodenal, que deve ser interpretada por um patologista experiente, confirmando as alterações histológicas características.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Doença Celíaca em adultos?

Os sintomas podem ser variados e incluem diarreia crônica, dor abdominal, distensão, perda de peso, anemia por deficiência de ferro, fadiga, dores articulares e manifestações dermatológicas como dermatite herpetiforme, refletindo a má absorção e inflamação sistêmica.

Qual a importância dos anticorpos na Doença Celíaca?

Anticorpos como anti-transglutaminase IgA (anti-tTG IgA) e anti-endomísio IgA (EMA IgA) são marcadores sorológicos altamente sensíveis e específicos, utilizados para triagem e monitoramento da adesão à dieta sem glúten. A dosagem de IgA total é importante para excluir deficiência de IgA, que pode causar falso-negativo.

O que a biópsia duodenal revela na Doença Celíaca?

A biópsia duodenal, realizada durante endoscopia, tipicamente mostra atrofia das vilosidades intestinais, hiperplasia das criptas e aumento do número de linfócitos intraepiteliais. Essas alterações são classificadas pela escala de Marsh e são patognomônicas da enteropatia celíaca.

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