Úlceras Genitais: Diagnóstico Diferencial e Manejo Clínico

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020

Enunciado

Úlceras genitais (UG) são lesões localizadas na vulva, vagina ou colo uterino com perda de tecido, envolvendo a epiderme e a derme ou apenas a epiderme. Três mulheres com vida sexual ativa são atendidas, referindo úlcera genital: - Maria, 22 anos: o quadro é recorrente e iniciado por hiperemia vulvar seguida do surgimento de vesículas agrupadas que, após, rompem-se formando exulceração dolorosa, seguida de resolução sem deixar marcas. - Joana, 19 anos: observa-se a presença de lesão única com bordas endurecidas em intróito vaginal. Além da úlcera observa-se adenopatia bilateral (inguinal), indolor e não inflamatória; - Antônia, 24 anos: inicialmente surgiram três lesões nodulares que evoluíram para úlcera não dolorosa e altamente vascularizada, sangrando facilmente com o contato; Com base no quadro clínico das pacientes a principal hipótese diagnóstica dentre as opções abaixo para Maria, Joana e Antônia respectivamente são:

Alternativas

  1. A) herpes genital, sífilis primária e donovanose
  2. B) donovanose, sífilis primária e herpes genital
  3. C) herpes genital, cancro mole e donovanose
  4. D) cancro mole, donovanose e herpes genital
  5. E) sífilis primária, donovanose e herpes genital

Pérola Clínica

Úlceras genitais: vesículas agrupadas dolorosas recorrentes → Herpes; lesão única indolor com adenopatia → Sífilis; lesões nodulares vascularizadas não dolorosas → Donovanose.

Resumo-Chave

O diagnóstico diferencial das úlceras genitais é crucial e baseia-se nas características morfológicas das lesões e na presença/ausência de dor e linfadenopatia. A anamnese detalhada e o exame físico são fundamentais para guiar a investigação e o tratamento adequado das ISTs.

Contexto Educacional

As úlceras genitais representam um desafio diagnóstico comum na prática clínica, especialmente em contextos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A correta identificação da etiologia é fundamental para o tratamento adequado e para a interrupção da cadeia de transmissão. A epidemiologia varia conforme a região, mas sífilis e herpes genital são globalmente prevalentes. A fisiopatologia de cada úlcera é distinta: o herpes envolve replicação viral e destruição celular; a sífilis, uma resposta inflamatória ao Treponema pallidum; e a donovanose, a formação de granulomas pela Klebsiella granulomatis. O diagnóstico baseia-se na anamnese, exame físico detalhado das lesões (número, dor, bordas, fundo, presença de vesículas) e linfonodos, complementado por exames laboratoriais como sorologia para sífilis, cultura viral ou PCR para herpes, e biópsia para donovanose em casos atípicos. O tratamento é etiológico: aciclovir/valaciclovir para herpes, penicilina para sífilis, e azitromicina/doxiciclina para donovanose. O prognóstico é geralmente bom com tratamento precoce, mas a recorrência é comum no herpes. É crucial orientar sobre sexo seguro e rastrear outras ISTs, além de notificar casos de sífilis e outras doenças de notificação compulsória.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da úlcera por herpes genital?

A úlcera por herpes genital é tipicamente dolorosa, recorrente, precedida por vesículas agrupadas que se rompem, e geralmente se resolve sem deixar cicatrizes.

Como diferenciar sífilis primária de cancro mole?

A sífilis primária (cancro duro) apresenta úlcera única, indolor, com bordas endurecidas e linfadenopatia inguinal bilateral, indolor e não inflamatória. O cancro mole, por outro lado, é uma úlcera dolorosa, com bordas irregulares e linfadenopatia inflamatória e dolorosa.

Quais são os principais agentes etiológicos das úlceras genitais?

Os principais agentes etiológicos incluem o vírus Herpes Simplex (herpes genital), Treponema pallidum (sífilis), Haemophilus ducreyi (cancro mole), Chlamydia trachomatis (linfogranuloma venéreo) e Klebsiella granulomatis (donovanose).

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