Úlceras Genitais: Diagnóstico Diferencial e Características Clínicas

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2024

Enunciado

Sobre as manifestações das úlceras genitais, analise as seguintes afirmativas:I. A sífilis primária é caracterizada por úlcera geralmente única, indolor, com base endurecida e fundo limpo.II. A primoinfecção herpética apresenta manifestação severa, com surgimento de lesões papulosas que rapidamente evoluem para vesículas muito dolorosas. A linfadenomegalia inguinal dolorosa bilateral está presente em cerca de metade dos casos.III. O cancroide apresentas lesões indolores, geralmente múltiplas, com borda irregular e fundo heterogêneo, com odor fétido. Em 30% a 50% dos pacientes, pode haver fistulização dos linfonodos inguino-crurais, tipicamente por orifício único.IV. A fase de inoculação do linfogranuloma venéreo inicia-se por pápula, pústula ou exulceração indolor que desaparece sem deixar sequela e muitas vezes não é notada pelo paciente. Assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
  2. B) Apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas.
  3. C) Apenas as afirmativas II, III e IV estão corretas.
  4. D) Todas as afirmativas estão corretas.

Pérola Clínica

Úlceras genitais: Sífilis (indolor, base dura), Herpes (dolorosa, vesículas), Cancroide (dolorosa, múltiplas), LGV (indolor, linfadenopatia).

Resumo-Chave

O diagnóstico diferencial das úlceras genitais é crucial para o tratamento correto das DSTs. Características como dor, número de lesões, aspecto da base e presença de linfadenopatia ajudam a distinguir entre sífilis, herpes, cancroide e linfogranuloma venéreo.

Contexto Educacional

As úlceras genitais representam um desafio diagnóstico comum na prática clínica, sendo manifestações de diversas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). O reconhecimento precoce e a diferenciação correta são cruciais para o tratamento adequado, prevenção de complicações e controle da transmissão. As principais causas incluem sífilis, herpes genital, cancroide e linfogranuloma venéreo (LGV), cada uma com características clínicas distintas que auxiliam no diagnóstico. A fisiopatologia e a apresentação clínica variam significativamente entre as etiologias. A sífilis primária, causada pelo Treponema pallidum, manifesta-se com um cancro duro indolor, enquanto o herpes genital, provocado pelo vírus HSV, causa lesões vesiculares e ulcerativas extremamente dolorosas. O cancroide, por Haemophilus ducreyi, é caracterizado por úlceras múltiplas e dolorosas, e o LGV, por Chlamydia trachomatis, inicia-se com uma lesão primária indolor e transitória, seguida de linfadenopatia inguinal supurativa. O tratamento específico para cada etiologia é fundamental. A sífilis é tratada com penicilina, o herpes com antivirais como aciclovir, o cancroide com azitromicina ou ceftriaxona, e o LGV com doxiciclina. A abordagem diagnóstica envolve anamnese detalhada, exame físico minucioso e exames laboratoriais específicos, como VDRL/FTA-Abs para sífilis, PCR para HSV e cultura para Haemophilus ducreyi, quando disponível. A educação do paciente e o rastreamento de parceiros são componentes essenciais do manejo.

Perguntas Frequentes

Quais são as características distintivas da úlcera sifilítica primária?

A úlcera sifilítica primária, ou cancro duro, é tipicamente única, indolor, com bordas bem definidas, base endurecida e fundo limpo. É causada pelo Treponema pallidum.

Como diferenciar clinicamente o herpes genital do cancroide?

O herpes genital primário manifesta-se com vesículas agrupadas que evoluem para úlceras muito dolorosas, frequentemente acompanhadas de linfadenopatia bilateral dolorosa. O cancroide, por sua vez, apresenta úlceras múltiplas, dolorosas, com bordas irregulares e fundo sujo, causadas pelo Haemophilus ducreyi.

Qual a importância da fase de inoculação indolor no linfogranuloma venéreo?

A fase de inoculação do linfogranuloma venéreo é caracterizada por uma lesão primária (pápula, pústula ou exulceração) que é indolor e transitória, muitas vezes passando despercebida. Isso atrasa o diagnóstico e permite a progressão para a fase secundária com linfadenopatia inguinal supurativa.

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