UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2015
Paciente procedente de Niquelândia-GO procurou o serviço de saúde com duas lesões ulceradas que se iniciaram há quatro semanas, ilustradas na imagem a seguir. Trazia o resultado de uma intradermorreação de Montenegro (IDRM) negativa. No caso deste paciente, deve-se:
Úlcera cutânea + IDRM negativa → Não exclui leishmaniose; considerar outros diferenciais como piodermite, paracoco, esporotricose.
Uma IDRM negativa não exclui leishmaniose tegumentar, especialmente em fases iniciais da doença ou em pacientes imunocomprometidos. É crucial manter um amplo espectro de diagnósticos diferenciais para lesões ulceradas crônicas, incluindo infecções bacterianas e fúngicas, além de outras doenças parasitárias.
O diagnóstico de lesões ulceradas cutâneas, especialmente em áreas endêmicas, exige uma abordagem sistemática e a consideração de múltiplos diagnósticos diferenciais. A leishmaniose tegumentar é uma doença parasitária comum em diversas regiões do Brasil, incluindo Goiás, e suas manifestações clínicas podem ser variadas, desde lesões papulares até úlceras crônicas e vegetantes. A intradermorreação de Montenegro (IDRM) é um teste útil para avaliar a resposta imune celular, mas uma IDRM negativa não exclui o diagnóstico de leishmaniose, principalmente em fases iniciais da doença, em pacientes anérgicos ou imunocomprometidos. Portanto, a investigação deve prosseguir com métodos diretos de detecção do parasita, como raspado ou biópsia da lesão para exame parasitológico, cultura ou PCR. É crucial considerar outras etiologias para úlceras cutâneas, como piodermites (infecções bacterianas), paracoccidioidomicose e esporotricose (micoses profundas), que podem apresentar quadros clínicos semelhantes. A anamnese detalhada, incluindo histórico de exposição e viagens, juntamente com o exame físico e exames laboratoriais específicos, são fundamentais para um diagnóstico preciso e o tratamento adequado, evitando atrasos e complicações.
Além da leishmaniose tegumentar, os diferenciais incluem infecções bacterianas (piodermites, micobacterioses), infecções fúngicas profundas (paracoccidioidomicose, esporotricose, cromoblastomicose), vasculites, úlceras de estase, neoplasias e doenças autoimunes.
A IDRM avalia a resposta imune celular ao parasita, sendo positiva em casos de leishmaniose tegumentar estabelecida. No entanto, pode ser negativa em fases iniciais da doença, em pacientes imunocomprometidos ou em casos de leishmaniose visceral.
Exames diretos como raspado ou biópsia da lesão para pesquisa de amastigotas (parasitológico direto, cultura, histopatologia com coloração específica) são essenciais. PCR e sorologia também podem ser úteis em contextos específicos.
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