UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2021
Mulher comparece na emergência relatando sangramento vaginal de moderada intensidade associado a cólicas. Refere atraso menstrual de 10 semanas. Não tem ultrassonografia. Ao exame físico: bom estado geral, hidratada, eupneica; PA: 100/60mmHg, abdome flácido, levemente doloroso em região suprapúbica, fundo de útero não palpável. Toque Vaginal: colo uterino fechado, sangramento discreto. Qual a hipótese diagnóstica MENOS PROVÁVEL para o caso acima?
Sangramento vaginal + cólica + colo fechado = ameaça de abortamento ou gravidez ectópica. Colo aberto = abortamento inevitável.
Em casos de sangramento vaginal e atraso menstrual, a avaliação do colo uterino é crucial. Colo fechado exclui abortamento inevitável, que classicamente apresenta dilatação cervical. Outras hipóteses como ameaça de abortamento ou gravidez ectópica devem ser consideradas.
O sangramento vaginal no primeiro trimestre da gravidez é uma queixa comum na emergência e exige uma abordagem diagnóstica cuidadosa para diferenciar condições benignas de emergências obstétricas. A epidemiologia mostra que até 25% das gestações podem apresentar algum sangramento no primeiro trimestre, sendo a ameaça de abortamento a causa mais frequente. A importância clínica reside em identificar rapidamente condições que possam comprometer a vida materna ou a viabilidade fetal, como a gravidez ectópica ou o abortamento inevitável. A história clínica detalhada, incluindo o tempo de atraso menstrual, características do sangramento e dor, é fundamental para direcionar a investigação. A fisiopatologia do sangramento pode variar desde a implantação trofoblástica normal até descolamentos ovulares, abortamentos ou gestações ectópicas. O diagnóstico diferencial é guiado pelo exame físico, com especial atenção ao toque vaginal para avaliar o colo uterino (aberto ou fechado), a presença de sangramento ativo e a sensibilidade abdominal. A ultrassonografia transvaginal é o método de imagem de escolha para confirmar a localização da gestação e a viabilidade fetal. Níveis séricos de beta-hCG também são importantes para correlacionar com os achados ultrassonográficos. O tratamento depende do diagnóstico. Na ameaça de abortamento, a conduta é expectante, com repouso relativo e acompanhamento. No abortamento inevitável, o manejo pode ser expectante, medicamentoso ou cirúrgico. A gravidez ectópica, por sua vez, é uma emergência que pode necessitar de tratamento medicamentoso (metotrexato) ou cirúrgico (laparoscopia ou laparotomia), dependendo da estabilidade hemodinâmica da paciente e do tamanho da massa. O prognóstico varia amplamente, sendo essencial o acompanhamento rigoroso para garantir a segurança materna e a evolução da gestação.
Ameaça de abortamento é caracterizada por sangramento vaginal e/ou cólicas no início da gestação, com o colo uterino fechado e sem dilatação. O feto geralmente está viável e dentro do útero.
A principal diferença é o estado do colo uterino. No abortamento inevitável, o colo está aberto e dilatado, indicando que a gestação não pode ser mantida. Na ameaça de abortamento, o colo está fechado.
Suspeite de gravidez ectópica em pacientes com atraso menstrual, sangramento vaginal irregular e dor abdominal, especialmente se houver sinais de instabilidade hemodinâmica ou dor à mobilização do colo/fundo de saco ao toque. O colo uterino pode estar fechado.
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