Hipercalcemia da Malignidade: Diagnóstico e Tratamento

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 66 anos, sem antecedentes patológicos, apresenta confusão mental, obstipação intestinal e alteração comportamental há 15 dias. Exames laboratoriais: cálcio sérico = 14,8 mg/dL e PTH (paratormônio molécula intacta) = indetectável. O exame neurológico não revela déficits motores, mas o paciente apresenta-se sonolentoe desorientado no tempo e no espaço. Foi iniciada hidratação parenteral vigorosa e administrada dose apropriada de calcitonina. A dosagem de cálcio foi repetida poucas horas depois e permanecia inalterada.Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico etiológico mais provável e a conduta correta.

Alternativas

  1. A) Hipercalcemia da malignidade; manter administração de calcitonina.
  2. B) Hipercalcemia da malignidade; iniciar ácido zoledrônico.
  3. C) Hiperparatireoidismo primário; iniciar pamidronato.
  4. D) Hiperparatireoidismo primário; iniciar denosumabe.
  5. E) Hiperparatireoidismo secundário; repetir calcitonina a cada 12 horas por pelo menos 1 semana.

Pérola Clínica

Hipercalcemia grave (Ca >14) com PTH indetectável → Hipercalcemia da malignidade; tratar com hidratação, calcitonina e bifosfonatos (ácido zoledrônico).

Resumo-Chave

A hipercalcemia grave (cálcio > 14 mg/dL) com PTH indetectável é altamente sugestiva de hipercalcemia da malignidade. Após hidratação e calcitonina, a próxima etapa é a administração de bifosfonatos intravenosos, como o ácido zoledrônico, que são potentes inibidores da reabsorção óssea.

Contexto Educacional

A hipercalcemia é uma condição metabólica comum, e a hipercalcemia grave (cálcio sérico > 14 mg/dL) é uma emergência médica que requer tratamento imediato devido ao risco de arritmias cardíacas, coma e insuficiência renal. As causas mais comuns de hipercalcemia são o hiperparatireoidismo primário e a hipercalcemia da malignidade. A diferenciação etiológica é crucial para o manejo. Níveis de PTH indetectáveis ou muito baixos na presença de hipercalcemia grave são altamente sugestivos de hipercalcemia da malignidade, que pode ocorrer por produção de PTHrP (peptídeo relacionado ao paratormônio) por tumores, metástases ósseas líticas ou produção de vitamina D por linfomas. O tratamento da hipercalcemia grave inicia-se com hidratação venosa vigorosa para promover a calciúria e calcitonina para uma redução rápida, mas transitória, do cálcio. Se o cálcio permanecer elevado, a próxima etapa é a administração de bifosfonatos intravenosos, como o ácido zoledrônico ou pamidronato. Esses medicamentos inibem a reabsorção óssea mediada por osteoclastos, proporcionando uma redução mais sustentada do cálcio sérico. O denosumabe é uma alternativa para pacientes refratários ou com insuficiência renal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas da hipercalcemia grave?

Os sintomas da hipercalcemia grave incluem alterações neurológicas como confusão mental, sonolência e desorientação, além de sintomas gastrointestinais como náuseas, vômitos e obstipação intestinal, e poliúria/polidipsia.

Como diferenciar hipercalcemia da malignidade de hiperparatireoidismo primário?

A hipercalcemia da malignidade geralmente cursa com PTH suprimido (indetectável ou muito baixo), enquanto o hiperparatireoidismo primário apresenta PTH elevado ou inapropriadamente normal para o nível de cálcio.

Qual o tratamento inicial e de segunda linha para hipercalcemia grave?

O tratamento inicial para hipercalcemia grave inclui hidratação parenteral vigorosa e calcitonina. Se o cálcio permanecer elevado, a segunda linha de tratamento são os bifosfonatos intravenosos, como o ácido zoledrônico ou pamidronato, que inibem a reabsorção óssea.

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