FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020
P.M.G., 46 anos, costureira, apresenta queixa de muitas náuseas, refere 2 episódios de vômitos no período vespertino, mencionando que às vezes não dorme devido a dores no ombro e muita dor de estômago, fazendo uso irregular de Omeprazol, que pega com a vizinha. Diz ser casada há 27 anos, com pouquíssimas relações sexuais, tem uma filha de 18 anos envolvida com tráfico de drogas. Começou a chorar durante a consulta, expondo que estão muito difíceis as relações familiares. Usa constantemente anti-inflamatórios. Com base nestes dados, o que seria mais importante descartar?
Mulher em idade fértil com náuseas/vômitos, mesmo com relações esporádicas, SEMPRE descartar gestação.
Em mulheres em idade fértil, sintomas como náuseas e vômitos devem sempre levantar a suspeita de gestação, independentemente da frequência das relações sexuais ou do uso de outros medicamentos. A gestação é uma condição que exige atenção imediata devido às implicações para a saúde materna e fetal, especialmente com o uso de anti-inflamatórios e Omeprazol.
A abordagem de uma mulher em idade fértil com queixas inespecíficas como náuseas e vômitos exige uma anamnese completa e uma alta suspeição clínica. A gestação, mesmo em contextos de relações sexuais esporádicas ou idade mais avançada dentro da faixa fértil, deve ser sempre a primeira condição a ser descartada. Este é um princípio fundamental na atenção primária e na ginecologia, pois a gestação tem implicações significativas para a saúde da paciente e do feto, especialmente em relação ao uso de medicamentos. Medicamentos como anti-inflamatórios e Omeprazol, embora comuns, podem ter riscos para o feto em desenvolvimento, especialmente se usados irregularmente ou em fases críticas da gestação. Portanto, a realização de um teste de gravidez é uma medida simples, rápida e de baixo custo que pode evitar complicações sérias e guiar a conduta terapêutica de forma segura. Além da gestação, outros diagnósticos diferenciais devem ser considerados, como úlcera péptica (dada a dor de estômago e uso de anti-inflamatórios), distúrbios osteomusculares e fatores psicossociais. No entanto, a prioridade é sempre eliminar as condições que exigem intervenção imediata ou que podem ser agravadas por tratamentos inadequados. Para residentes, a capacidade de priorizar diagnósticos e investigações é uma habilidade clínica essencial.
Os primeiros sintomas de gestação, como náuseas, vômitos, fadiga, sensibilidade mamária e alterações do apetite, são inespecíficos e podem ser facilmente confundidos com distúrbios gastrointestinais, estresse ou outras condições clínicas. Por isso, a suspeita clínica é fundamental.
É crucial descartar a gestação antes de iniciar certos tratamentos devido ao potencial teratogênico de muitos medicamentos, como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e alguns antiácidos. A exposição a essas substâncias durante a gravidez pode causar malformações congênitas ou complicações gestacionais.
A anamnese psicossocial é vital para entender o contexto de vida do paciente, incluindo estresse familiar e uso de substâncias, que podem influenciar ou exacerbar sintomas físicos. Embora não seja a prioridade para descartar gestação, ela complementa a avaliação e orienta um plano de cuidado integral.
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