Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2021
Assinale a alternativa que melhor correlaciona às histórias clínicas da coluna I com os exames clínicos da coluna II. História Clínica; I – Homem de 40 anos com febre há 3 semanas, evoluindo com episódio de dor abdominal há 1 semana, associado a cansaço e perda do apetite. II – Homem de 60 anos com emagrecimento de 15kg em 3 meses, associado a obstipação (1 evacuação a cada 4 dias, com fezes afiladas) e cansaço aos esforços. III – Homem de 30 anos com queixa de diarreia há 4 meses, com presença de muco e eventualmente de sangue nas fezes. Queixa de tenesmo. Perda de 8 kg no período. Exame Clínico; A – BEG, descorado +/4+, anictérico, eupneico Oroscopia: com presença de aftas orais Pulmonar: MV+ sem ruídos adventícios Cardíaco: Bulhas rítmicas normofonéticas sem sopros Abdominal: Hepatimetria de 10 cm, baço não percutível, massa palpável em fossa ilíaca direita pouco dolorosa. MMII: presença de lesões eritematosas e dolorosas em pernas bilateral (eritema nodoso?); B – REG, descorado 2+/4+, anictérico, eupneico Pulmonar: MV+ sem ruídos adventícios Cardíaco: Bulhas rítmicas normofonéticas sem sopros Abdominal: Hepatimetria de 14 cm, com nodulações à palpação do fígado, baço não percutível, massa palpável em fossa ilíaca e flanco esquerdos pouco doloroso. C – BEG, descorado+/4+, anictérico, eupneico Pulmonar: MV+ com estertores discretos em bases Cardíaco: Bulhas rítmicas normofonéticas com sopro sistólico 3+/6+ em foco aórtico Abdominal: Hepatimetria de 12 cm, baço percutível e com dor à palpação e limite no rebordo costal esquerdo
Correlacionar sintomas sistêmicos e locais com achados de exame físico é chave para o diagnóstico sindrômico.
A questão exige a correlação de quadros clínicos complexos com achados de exame físico. A Doença de Crohn se manifesta com sintomas gastrointestinais crônicos e manifestações extraintestinais (aftas, eritema nodoso). Neoplasias de cólon apresentam perda de peso, alteração do hábito intestinal e sinais de metástase. Infecções sistêmicas como endocardite podem cursar com febre, dor abdominal e esplenomegalia.
A capacidade de correlacionar histórias clínicas detalhadas com achados de exame físico é uma habilidade diagnóstica fundamental na medicina, especialmente em casos complexos e na preparação para provas de residência. Cada sintoma e sinal deve ser interpretado no contexto geral do paciente para construir hipóteses diagnósticas sindrômicas e etiológicas. A análise cuidadosa permite diferenciar entre condições com apresentações sobrepostas. Na Doença de Crohn, uma doença inflamatória intestinal crônica, a diarreia com muco e sangue, tenesmo e perda de peso são sintomas gastrointestinais clássicos. A presença de aftas orais e eritema nodoso são manifestações extraintestinais que reforçam o diagnóstico. Já em neoplasias colorretais, especialmente em idosos, o emagrecimento, a alteração do hábito intestinal com fezes afiladas e a presença de massas abdominais ou nodulações hepáticas (metástases) são indicativos de doença avançada. A endocardite infecciosa, por sua vez, pode se manifestar com febre prolongada, cansaço, sopros cardíacos e fenômenos embólicos que podem afetar o baço, causando dor e esplenomegalia. Para o residente, a prática de integrar informações de diferentes sistemas é crucial. A correlação entre a história de febre prolongada e dor abdominal com um sopro cardíaco e baço doloroso (sugerindo endocardite com embolia), ou a diarreia crônica com lesões cutâneas e orais (Doença de Crohn), ou ainda o emagrecimento e alteração do hábito intestinal com massas abdominais (neoplasia), demonstra um raciocínio clínico apurado. Dominar essa habilidade é essencial para o diagnóstico diferencial e a condução adequada dos pacientes.
A Doença de Crohn pode apresentar manifestações extraintestinais como aftas orais, eritema nodoso, pioderma gangrenoso, artrite, espondilite anquilosante, uveíte e colangite esclerosante primária. A presença dessas lesões sugere uma doença inflamatória sistêmica.
Emagrecimento, alteração do hábito intestinal (obstipação, fezes afiladas), anemia e massas palpáveis no abdômen (sugerindo tumor primário ou metástases, como as hepáticas) são sinais de alerta para neoplasia colorretal avançada.
A endocardite infecciosa pode apresentar febre prolongada, cansaço, perda de apetite, sopros cardíacos novos ou alterados, e fenômenos embólicos que podem causar dor abdominal (infarto esplênico ou renal), lesões cutâneas (nódulos de Osler, lesões de Janeway) e esplenomegalia.
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