Dengue e COVID-19: Diagnóstico Diferencial na APS

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Médico atende na Unidade Básica de Saúde (UBS) um adolescente de 17 anos de idade com história de 4 dias de febre, cefaleia e mialgia, sem comorbidades. Ao exame físico:Bom estado geral, febril (temperatura de 38,5ºC), desidratado, eupneico.Pressão arterial de 118 x 78 mmHg (em pé e deitado), frequência cardíaca de 90 bpm.Saturação de oxigênio 96%.Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações.Abdome flácido, sem visceromegalias.Ausência de edema.Prova do laço negativa.O teste rápido NS1 para dengue está negativo. Além de prescrever antitérmicos e afastá-lo das atividades laborais, deve-se:

Alternativas

  1. A) Solicitar RT-PCR para SARS-CoV2, hidratação via oral, encaminhar para realização de hemograma no pronto-atendimento e notificar suspeita de COVID-19.
  2. B) Solicitar teste rápido de antígeno SARS -CoV2, encaminhar para pronto-atendimento para realização de hemograma e hidratação endovenosa, notificar suspeita de dengue e COVID-19.
  3. C) Solicitar teste rápido de antígeno para SARS -CoV2, realizar hidratação endovenosa na própria UBS e aguardar para notificar a suspeita COVID-19.
  4. D) Solicitar RT-PCR para SARS -CoV2, hidratação via oral e notificar suspeita de dengue e COVID-19.

Pérola Clínica

Síndrome febril inespecífica + NS1 negativo → Considerar COVID-19 e notificar ambas as suspeitas.

Resumo-Chave

Diante de um quadro de síndrome febril com cefaleia e mialgia, mesmo com NS1 negativo para dengue, a co-circulação de arboviroses e COVID-19 exige a investigação de ambas. A hidratação oral é fundamental, e a notificação compulsória é obrigatória para ambas as suspeitas.

Contexto Educacional

A abordagem de síndromes febris agudas na Atenção Primária à Saúde (APS) é um desafio constante, especialmente em cenários de co-circulação de múltiplos agentes infecciosos, como arboviroses (dengue, zika, chikungunya) e vírus respiratórios (SARS-CoV-2, influenza). A apresentação clínica inicial de febre, cefaleia e mialgia é inespecífica, dificultando o diagnóstico diferencial apenas pela anamnese e exame físico. Neste contexto, a investigação laboratorial é fundamental. Embora o teste rápido NS1 para dengue seja útil, sua sensibilidade pode ser menor nos primeiros dias de doença ou em infecções secundárias. A persistência dos sintomas e a alta prevalência de COVID-19 exigem a investigação de SARS-CoV-2, sendo o RT-PCR o método diagnóstico de escolha. A hidratação oral é uma medida de suporte essencial para todas as síndromes febris, prevenindo a desidratação. A notificação compulsória de casos suspeitos de dengue e COVID-19 é uma ferramenta crucial para a vigilância epidemiológica, permitindo o monitoramento da circulação viral, a identificação de surtos e a implementação de medidas de controle. Mesmo na ausência de um diagnóstico definitivo inicial, a notificação da suspeita é obrigatória, garantindo que os dados sejam coletados e analisados para a saúde pública.

Perguntas Frequentes

Por que notificar suspeita de dengue e COVID-19 mesmo com teste NS1 negativo?

O teste NS1 pode ser negativo nos primeiros dias de doença ou em casos de dengue secundária. Além disso, a co-circulação de dengue e COVID-19 exige a investigação de ambas as doenças em síndromes febris inespecíficas, e a notificação é compulsória para ambas as suspeitas.

Qual a importância do RT-PCR para SARS-CoV2 neste cenário?

O RT-PCR para SARS-CoV2 é o padrão-ouro para o diagnóstico de COVID-19, especialmente em pacientes sintomáticos. É crucial para confirmar a infecção e auxiliar no manejo e isolamento, dada a similaridade de sintomas com outras infecções virais.

Quais são as orientações de manejo inicial para um paciente com síndrome febril inespecífica na UBS?

O manejo inicial inclui hidratação oral abundante, uso de antitérmicos (preferencialmente paracetamol), afastamento das atividades laborais/escolares e monitoramento de sinais de alarme. A investigação diagnóstica e a notificação compulsória são passos essenciais.

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