TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024
Assinale a alternativa que contém algumas armadilhas que podem induzir ao erro no diagnóstico de demências.
Escolaridade, depressão e fármacos (BZD) são os principais confundidores no diagnóstico de demência.
O diagnóstico de demência exige excluir causas reversíveis e fatores de confusão. Escolaridade extrema, déficits sensoriais e transtornos de humor podem mimetizar ou mascarar o declínio cognitivo real.
O diagnóstico de demência é eminentemente clínico e baseia-se na constatação de declínio cognitivo em um ou mais domínios que interfere na independência funcional do indivíduo. No entanto, a prática clínica enfrenta desafios constantes, como a polifarmácia (especialmente o uso crônico de benzodiazepínicos e anticolinérgicos) e déficits sensoriais (perda auditiva e visual), que isolam o idoso e simulam declínio cognitivo. A avaliação deve ser multidimensional, considerando o histórico psiquiátrico, o uso de substâncias e o contexto sociocultural. Exames laboratoriais para excluir causas reversíveis (como deficiência de B12 e hipotireoidismo) e neuroimagem são complementos essenciais para evitar diagnósticos errôneos e garantir o manejo adequado de condições tratáveis que mimetizam a demência.
A escolaridade é um dos fatores mais críticos na interpretação de testes como o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM). Indivíduos com baixa escolaridade podem ter escores baixos sem possuir demência (falso-positivo), enquanto aqueles com alta escolaridade podem manter escores normais mesmo com declínio cognitivo inicial significativo (falso-negativo). Por isso, os pontos de corte devem ser sempre ajustados conforme os anos de estudo formal do paciente.
A pseudodemência refere-se a um quadro de comprometimento cognitivo secundário a um transtorno depressivo maior. Diferente da demência primária (como Alzheimer), o paciente com pseudodemência frequentemente se queixa muito de sua perda de memória (respostas tipo 'não sei'), demonstra pouco esforço nos testes e apresenta melhora significativa dos sintomas cognitivos após o tratamento adequado da depressão.
O delirium é um estado confusional agudo, flutuante, geralmente causado por uma condição médica subjacente ou medicação. O diagnóstico de demência não deve ser firmado durante um episódio de delirium, pois as alterações agudas de atenção e consciência impedem uma avaliação fidedigna da cognição basal. É necessário aguardar a resolução do quadro agudo para avaliar o status cognitivo real do paciente.
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