Corrimento Vaginal: Diagnóstico Diferencial e pH Vaginal

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2021

Enunciado

Uma mulher vai à Unidade de Saúde com queixa de corrimento genital. Sobre a avaliação clínico-laboratorial, assinale a alternativa incorreta:

Alternativas

  1. A) A visualização de um colo friável e sangrante, mucopurulento, leva à suspeita clínica de uma infecção por clamídia e/ou gonorreia.
  2. B) Na dúvida entre vaginose e tricomoníase, o pH vaginal deve ser utilizado para o diagnóstico diferencial.
  3. C) A presença de hifas ao exame a fresco pode ser mais bem ob servada com a adição de KOH a 10% na lâmina.
  4. D) Uma paciente com corrimento cujo parceiro tenha secreção uretral deve ser tratada para cervicite, mesmo sem achados clínicos sugestivos, segundo o fluxograma do programa nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde.
  5. E) O exame a fresco confirma o diagnóstico de tricomoníase e de candidíase, mas não o de infecção por clamídia.

Pérola Clínica

pH vaginal > 4,5 → Vaginose bacteriana OU Tricomoníase. pH normal (3,8-4,5) → Candidíase.

Resumo-Chave

O pH vaginal é uma ferramenta diagnóstica útil, mas não exclusiva, para diferenciar causas de corrimento. Um pH vaginal elevado (>4,5) é característico tanto da vaginose bacteriana quanto da tricomoníase, enquanto na candidíase o pH geralmente se mantém normal (3,8-4,5). Portanto, o pH sozinho não é suficiente para o diagnóstico diferencial entre vaginose e tricomoníase, sendo necessários outros exames como o exame a fresco e o teste de Whiff.

Contexto Educacional

O exame a fresco, com ou sem adição de KOH a 10% (que facilita a visualização de hifas na candidíase e dissolve elementos celulares para melhor visualização de Trichomonas), é essencial para confirmar o diagnóstico de candidíase e tricomoníase. Para clamídia, são necessários testes moleculares. O tratamento empírico do parceiro em casos de cervicite ou tricomoníase, mesmo assintomático, é uma estratégia recomendada pelos programas de controle de DST/AIDS para quebrar o ciclo de transmissão. O conhecimento detalhado desses passos é vital para a prática clínica e para a saúde pública.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos e laboratoriais para suspeitar de cervicite por clamídia ou gonorreia?

A suspeita de cervicite por clamídia ou gonorreia surge com a visualização de um colo friável, sangrante ao toque, mucopurulento e edemaciado. Muitas vezes, a infecção é assintomática, mas pode causar corrimento amarelado. O diagnóstico definitivo requer testes moleculares ou cultura.

Além do pH, quais outros exames são cruciais para o diagnóstico diferencial entre vaginose bacteriana e tricomoníase?

Para vaginose bacteriana, os critérios de Amsel incluem: corrimento homogêneo, pH vaginal > 4,5, teste de Whiff positivo e presença de clue cells ao exame a fresco. Para tricomoníase, o exame a fresco revela protozoários móveis (Trichomonas vaginalis) e o colo pode apresentar aspecto de 'framboesa'.

Por que o tratamento do parceiro é importante em casos de cervicite ou tricomoníase, mesmo sem sintomas?

O tratamento do parceiro é fundamental para evitar a reinfecção da paciente e interromper a cadeia de transmissão das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Em casos de cervicite por clamídia/gonorreia ou tricomoníase, o parceiro pode ser assintomático, mas ainda assim ser portador e transmitir a infecção.

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