HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2024
A anemia é o sinal mais frequentemente encontrado na prática clínica, sendo raramente uma doença por si só, uma vez que é, em geral, consequência de alguma anormalidade genética ou adquirida. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define anemia como uma redução na concentração de hemoglobina, de acordo com a variação dos níveis de hemoglobina que podem mudar conforme a idade, o gênero e a altitude. A respeito desse tema, julgue as seguintes afirmações como verdadeiras (V) ou falsas (F).1. Na anemia ferropriva, sintomas neurológicos, como fraqueza muscular, ataxia, espasticidade e distúrbios da marcha podem acompanhar o quadro de anemia, podendo ocorrer na ausência de anormalidades hematológicas.2. Em anemia das doenças crônicas, o ferro sérico encontra-se reduzido, assim como a capacidade total de ligação do ferro, a saturação da transferrina está um pouco diminuída e a ferritina sérica elevada.3. No sangue periférico, a anemia por deficiência de vitamina B12 está presente em graus variáveis, geralmente apresenta VCM < 80 fl e reticulócitos aumentados, podendo haver leucocitose e trombocitose associadas.Sendo, (V) para verdadeiro e (F) para falso, é CORRETO afirmar:
Anemia ferropriva NÃO causa sintomas neurológicos; deficiência B12 = macrocitose + reticulócitos ↓ + sintomas neurológicos; Anemia Doença Crônica = ferro ↓, CTFL ↓, ferritina ↑.
A questão aborda as características laboratoriais e clínicas de diferentes tipos de anemia. É fundamental diferenciar a anemia ferropriva da deficiência de vitamina B12, especialmente em relação aos sintomas neurológicos e ao VCM. A anemia das doenças crônicas tem um perfil de ferro e ferritina distinto, que reflete o bloqueio na utilização do ferro.
A anemia é uma condição comum na prática clínica, e seu diagnóstico diferencial é um pilar fundamental para o residente. Compreender as características de cada tipo de anemia é crucial para um manejo adequado e para evitar erros diagnósticos, que podem levar a tratamentos ineficazes ou tardios. A anemia ferropriva é a mais comum, caracterizada por microcitose e hipocromia, com perfil de ferro indicando deficiência. A anemia megaloblástica, causada por deficiência de B12 ou folato, cursa com macrocitose e pode apresentar sintomas neurológicos específicos da deficiência de B12. A anemia das doenças crônicas é normocítica/normocrômica ou microcítica/hipocrômica, e seu perfil de ferro reflete um bloqueio na utilização do ferro, com ferritina elevada. A correta interpretação dos exames laboratoriais, como hemograma completo, reticulócitos, dosagem de ferro sérico, ferritina, CTFL, saturação da transferrina e níveis de vitamina B12 e folato, é essencial para guiar o tratamento. O tratamento é direcionado à causa subjacente, seja reposição de ferro, B12, folato ou manejo da doença crônica, visando a recuperação hematológica e clínica do paciente.
A deficiência de vitamina B12 pode causar neuropatia periférica, fraqueza muscular, ataxia, espasticidade, parestesias e distúrbios da marcha, podendo ocorrer mesmo antes das alterações hematológicas no hemograma.
Na anemia ferropriva, o ferro sérico, a ferritina e a saturação da transferrina estão baixos, e a CTFL está alta. Na anemia das doenças crônicas, o ferro sérico e a CTFL estão baixos, a saturação da transferrina está normal ou baixa, e a ferritina está elevada.
A anemia por deficiência de B12 tipicamente apresenta macrocitose (VCM > 100 fL), reticulócitos baixos, e pode haver leucopenia e trombocitopenia, além de neutrófilos hipersegmentados, refletindo a disfunção na maturação celular.
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