UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2020
Mãe, em consulta médica, traz sua filha de 1 ano e 6 meses, queixando que a criança tem problema na absorção do ferro. A menina faz uso de sulfato ferroso há um ano, de forma regular, obedecendo o tempo de uma hora na administração antes das refeições e persiste com anemia. Aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida. Antecedentes pessoais sem intercorrências. Alimentação atual carne vermelha 3 vezes por semana, frutas, carne branca, arroz. Exame físico palidez +/4+. Exames leucócitos 5.500/mm³ (neutrófilos 45%, linfócitos 50%, monócitos 4%, eosinófilos 1%), Hb 10,7g/dL, VCM 55, HCM 25, CHCM 30, RDW 13%, análise do esfregaço de sangue periférico: hipocromia, microcitose, pontiados basófilos, reticulócitos 3%. Devemos solicitar qual exame para confirmar a hipótese diagnóstica mais provável?
Anemia microcítica hipocrômica com RDW normal e pontilhados basófilos → suspeitar de hemoglobinopatia ou intoxicação por chumbo. Eletroforese Hb é chave.
A persistência da anemia microcítica hipocrômica, apesar da suplementação adequada de ferro, e a presença de pontilhados basófilos no esfregaço, com RDW normal, sugerem uma causa diferente da deficiência de ferro. A eletroforese de hemoglobina é essencial para investigar hemoglobinopatias como as talassemias, que são diagnósticos diferenciais importantes neste cenário.
A anemia microcítica hipocrômica é uma condição comum na pediatria, sendo a deficiência de ferro a causa mais frequente. No entanto, é crucial que residentes e estudantes de medicina saibam identificar casos atípicos que não respondem à terapia com ferro, pois podem indicar outras etiologias. A talassemia, um grupo de hemoglobinopatias genéticas, é um diagnóstico diferencial importante, especialmente em populações com alta prevalência. A falha terapêutica com sulfato ferroso, aliada a achados como RDW normal e pontilhados basófilos, deve levantar a suspeita para outras causas. A fisiopatologia das talassemias envolve a síntese reduzida ou ausente de uma ou mais cadeias de globina, resultando em hemácias pequenas (microcíticas) e pálidas (hipocrômicas). O diagnóstico diferencial é fundamental para evitar tratamentos desnecessários e iniciar a conduta correta. A eletroforese de hemoglobina é o exame padrão-ouro para identificar as variantes de hemoglobina e quantificar as frações, confirmando o diagnóstico de talassemia ou outras hemoglobinopatias. O tratamento da talassemia varia conforme a gravidade, podendo incluir transfusões sanguíneas regulares e quelação de ferro. O prognóstico depende do tipo e da gravidade da doença. Para o residente, é vital reconhecer os sinais de alerta que desviam do quadro clássico de deficiência de ferro, garantindo uma investigação diagnóstica completa e um manejo adequado, evitando complicações e melhorando a qualidade de vida do paciente.
A talassemia é sugerida por anemia microcítica hipocrômica com RDW normal ou ligeiramente elevado, enquanto na deficiência de ferro o RDW costuma estar elevado. A presença de pontilhados basófilos no esfregaço também é um forte indício de talassemia ou intoxicação por chumbo.
A eletroforese de hemoglobina deve ser solicitada quando há suspeita de hemoglobinopatia, como em anemias microcíticas hipocrômicas refratárias ao tratamento com ferro, histórico familiar de hemoglobinopatias, ou achados específicos no esfregaço periférico, como pontilhados basófilos.
O RDW (Red Cell Distribution Width) mede a variação de tamanho dos eritrócitos. Na deficiência de ferro, o RDW geralmente está elevado devido à anisocitose. Em talassemias, o RDW costuma ser normal ou apenas discretamente elevado, apesar da microcitose, o que ajuda a diferenciá-las.
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