HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2025
Jovem, 15 anos de idade, apresenta-se à UPA relatando quadro progressivo de cansaço, sede excessiva e visão turva há 15 dias. Nega doenças prévias ou uso de medicação. Ao exame físico, apresentou BEG, corado, hidratado, afebril, FC de 96 bpm, FR de 16 irpm, PA de 110x70 mmHg, 60 kg, 1,70 m, ausculta cardiopulmonar normal, abdome flácido e indolor. Glicemia realizada no momento do atendimento, 2 horas após a sua última refeição, com resultado de 334 mg/dL. Em relação ao caso descrito, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada
Adolescente com polidipsia, cansaço e glicemia > 200 mg/dL → suspeita DM1 = iniciar insulina e encaminhar.
A apresentação clássica de polidipsia, cansaço e perda de peso em um adolescente, associada a uma glicemia elevada (mesmo pós-prandial), é altamente sugestiva de Diabetes Mellitus tipo 1. A conduta inicial é a insulinoterapia em múltiplas doses diárias e o encaminhamento para acompanhamento especializado, visando o controle glicêmico e a educação do paciente e família.
O Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células beta pancreáticas, resultando em deficiência absoluta de insulina. Embora possa ocorrer em qualquer idade, é mais comum em crianças e adolescentes, com um pico de incidência entre 10 e 14 anos. A prevalência global do DM1 está aumentando, e seu reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações agudas como a cetoacidose diabética. A fisiopatologia envolve uma resposta autoimune desencadeada por fatores genéticos e ambientais, levando à insulinite. O diagnóstico é feito pela presença de sintomas clássicos de hiperglicemia (polidipsia, poliúria, polifagia, perda de peso) e níveis elevados de glicemia (glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas, ou HbA1c ≥ 6,5%). A presença de autoanticorpos (anti-GAD, anti-ilhota, anti-insulina) pode confirmar a etiologia autoimune. O tratamento do DM1 é baseado na reposição de insulina, geralmente por meio de múltiplas injeções diárias (esquema basal-bolus) ou bomba de infusão contínua de insulina. O objetivo é manter o controle glicêmico próximo ao normal para prevenir complicações agudas e crônicas. O manejo também inclui educação sobre dieta, exercício físico, monitorização da glicemia e manejo de hipoglicemias. O acompanhamento multidisciplinar é fundamental para o sucesso terapêutico e a qualidade de vida do paciente.
Os principais sinais e sintomas incluem polidipsia (sede excessiva), poliúria (micção frequente), polifagia (fome excessiva), perda de peso inexplicada, cansaço, visão turva e infecções recorrentes. A apresentação pode ser aguda ou subaguda.
A conduta inicial envolve a confirmação diagnóstica com exames laboratoriais (glicemia de jejum, HbA1c, autoanticorpos), início imediato da insulinoterapia (geralmente em múltiplas doses diárias) e encaminhamento para acompanhamento ambulatorial com equipe multidisciplinar (endocrinologista, nutricionista, educador em diabetes).
Deve-se suspeitar de cetoacidose diabética (CAD) se, além dos sintomas clássicos de hiperglicemia, o paciente apresentar náuseas, vômitos, dor abdominal, respiração de Kussmaul, hálito cetônico e alteração do nível de consciência. A CAD é uma emergência médica que requer internação e hidratação e insulina endovenosa.
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