HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2021
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a hiperglicemia é o terceiro fator mais importante de mortalidade precoce no mundo. Conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes de 2019 e 2020, julgue o item.Suponha-se que uma paciente de 46 anos de idade, com glicemia capilar de 218, tenha procurado o pronto-socorro por cefaleia do tipo enxaqueca. Nesse caso, é correto afirmar que a paciente é portadora de diabetes mellitus do tipo 2.
Glicemia casual ≥ 200 + sintomas inequívocos = DM; sem sintomas, requer-se confirmação plasmática.
O diagnóstico de Diabetes Mellitus exige dois exames alterados ou glicemia casual ≥ 200 mg/dL na presença de sintomas clássicos (poliúria, polidipsia, perda de peso).
A hiperglicemia crônica está associada a danos a longo prazo, disfunção e falência de vários órgãos, especialmente olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos. A Organização Mundial de Saúde e a Sociedade Brasileira de Diabetes enfatizam a necessidade de critérios rigorosos para evitar diagnósticos errôneos, dado o impacto do tratamento e do estigma da doença. Na prática clínica, o médico deve estar atento à diferença entre rastreamento e diagnóstico. Enquanto o rastreamento busca identificar indivíduos em risco, o diagnóstico exige precisão laboratorial. No caso de resultados discordantes em exames diferentes, o teste que resultou acima do limite deve ser repetido para confirmação.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o diagnóstico pode ser estabelecido por: 1) Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL; 2) Glicemia de 2 horas após sobrecarga de 75g de glicose (TOTG) ≥ 200 mg/dL; ou 3) Hemoglobina glicada (HbA1c) ≥ 6,5%. Para confirmação, são necessários dois exames alterados (mesma amostra ou amostras diferentes). Em pacientes com sintomas inequívocos de hiperglicemia ou crise hiperglicêmica, uma glicemia casual (aleatória) ≥ 200 mg/dL é suficiente para o diagnóstico, sem necessidade de repetição.
Não. A glicemia capilar (ponta de dedo) é uma ferramenta fundamental para o automonitoramento de pacientes já diagnosticados e para o rastreamento inicial (screening) em situações de urgência, mas não possui validade para o diagnóstico definitivo de Diabetes Mellitus. O diagnóstico oficial deve ser sempre realizado em amostras de plasma venoso processadas em laboratório, seguindo os métodos padronizados de referência.
Os sintomas clássicos, também conhecidos como os '4 Ps', incluem poliúria (aumento do volume urinário), polidipsia (sede excessiva), polifagia (fome excessiva) e perda ponderal inexplicada. Quando um paciente apresenta esses sintomas associados a uma glicemia aleatória ≥ 200 mg/dL, o diagnóstico de Diabetes Mellitus está selado. Cefaleia ou enxaqueca, como citado no caso clínico, não são considerados sintomas patognomônicos ou clássicos de hiperglicemia para fins diagnósticos.
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