FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Róger, 62 anos, busca atendimento queixando-se de fatigabilidade. Refere sentir-se cansado e associa sua fatigabilidade ao fato de acordar muitas vezes à noite para urinar. Na investigação da noctúria, refere que tem esvaziamento vesical completo, não apresenta disúria e tem consumido muito mais água do que o habitual. No exame físico, percebe-se que o IMC na consulta atual é de 32, frente ao IMC de 34 que apresentava na consulta de 1 ano atrás. Róger não soube explicar a razão de sua perda de peso, uma vez que tem apresentado mais fome e se alimentado mais do que o habitual. Considerando a Razão de Verossimilhança para o diagnóstico de diabetes mellitus, assinale a alternativa INCORRETA.
Suspeita DM com poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso. Diagnóstico: HbA1c, Glicemia jejum, TOTG.
A dosagem de insulina não é um critério diagnóstico primário para diabetes mellitus, nem possui a maior razão de verossimilhança para o diagnóstico. Ela é útil para avaliar resistência à insulina ou função das células beta, mas não para o diagnóstico direto da doença.
O diagnóstico de Diabetes Mellitus (DM) é um pilar fundamental na prática clínica, impactando milhões de pessoas globalmente. A doença é caracterizada por hiperglicemia crônica resultante de defeitos na secreção de insulina, na ação da insulina ou em ambos. A compreensão dos critérios diagnósticos é crucial para a detecção precoce e manejo adequado, prevenindo complicações micro e macrovasculares. Os critérios diagnósticos para DM são bem estabelecidos e incluem a glicemia de jejum, o teste oral de tolerância à glicose (TOTG) e a hemoglobina glicada (HbA1c). A HbA1c, por refletir a média glicêmica dos últimos meses, é um exame conveniente e com alta razão de verossimilhança para o diagnóstico. O TOTG, embora mais trabalhoso, oferece alta sensibilidade e especificidade ao avaliar a resposta do organismo a uma carga de glicose. A glicemia de jejum, por sua vez, é um bom rastreador, mas pode não capturar hiperglicemias pós-prandiais. É um erro comum confundir exames para avaliação da fisiopatologia, como a dosagem de insulina, com os critérios diagnósticos primários para DM. Embora a insulinemia seja útil para investigar resistência à insulina ou diferenciar tipos de diabetes, ela não é utilizada para o diagnóstico formal da doença. O foco deve ser sempre nos níveis de glicose e HbA1c para estabelecer o diagnóstico de DM.
Os principais critérios incluem glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, glicemia 2 horas após TOTG ≥ 200 mg/dL, HbA1c ≥ 6,5%, ou glicemia aleatória ≥ 200 mg/dL em pacientes com sintomas clássicos de hiperglicemia.
A HbA1c reflete a média dos níveis de glicose nos últimos 2 a 3 meses, sendo um excelente indicador de hiperglicemia crônica. Um valor ≥ 6,5% é diagnóstico para diabetes.
A dosagem de insulina avalia a função das células beta e a resistência à insulina, sendo útil para entender a fisiopatologia. No entanto, o diagnóstico de diabetes é baseado nos níveis de glicose, não de insulina.
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