UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020
Paciente de 27 anos, previamente hígido, consultou na Unidade Básica de Saúde (UBS) por poliúria, polidipsia e perda de peso nas últimas 2 semanas (altura de 1,78 m, peso usual de 74 kg e peso atual de 70 kg), sem outras queixas. Informou não haver história de diabetes melito na família. O exame físico foi normal. O paciente trouxe uma medida de glicemia plasmática em amostra coletada sem jejum há 2 dias em uma Unidade de Pronto-Atendimento, com resultado de 289 mg/dl. A medida da glicemia capilar realizada na UBS indicou 358 mg/dl (sem jejum). Que conduta, dentre as abaixo, deve ser adotada?
Paciente jovem, sintomas clássicos de DM + glicemia aleatória >200 mg/dL = diagnóstico. Iniciar insulina basal-bolus.
A presença de sintomas clássicos de diabetes (poliúria, polidipsia, perda de peso) associada a uma glicemia plasmática aleatória ≥ 200 mg/dL é suficiente para o diagnóstico de Diabetes Mellitus. Em pacientes jovens e sintomáticos, a suspeita de DM tipo 1 é alta, e o tratamento com insulina (esquema basal-bolus) deve ser iniciado prontamente para controle glicêmico e prevenção de cetoacidose.
O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença metabólica crônica caracterizada por hiperglicemia, resultante de defeitos na secreção e/ou ação da insulina. O DM tipo 1, mais comum em jovens, é uma doença autoimune que leva à destruição das células beta pancreáticas, resultando em deficiência absoluta de insulina. A apresentação clássica inclui poliúria, polidipsia e perda de peso, e o diagnóstico é confirmado por níveis elevados de glicemia. É crucial que residentes saibam identificar esses sinais e sintomas precocemente para um manejo adequado.
Em um paciente com sintomas clássicos de hiperglicemia (poliúria, polidipsia, perda de peso inexplicada), uma glicemia plasmática aleatória (a qualquer hora do dia, independentemente da última refeição) ≥ 200 mg/dL é suficiente para o diagnóstico de Diabetes Mellitus.
A conduta inicial deve ser o início imediato da insulinoterapia, geralmente com um esquema basal-bolus, para controlar a hiperglicemia e prevenir a cetoacidose diabética. O paciente deve ser encaminhado para acompanhamento especializado em Endocrinologia, mas o manejo inicial pode ser feito na atenção primária.
A cetoacidose diabética deve ser suspeitada em pacientes com DM que apresentam náuseas, vômitos, dor abdominal, respiração de Kussmaul, hálito cetônico ou alteração do nível de consciência. Nesses casos, o paciente deve ser encaminhado imediatamente para uma Unidade de Emergência para tratamento intensivo.
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