PMSO - Prefeitura Municipal de Sorocaba (SP) — Prova 2020
Homem de 73 anos, sem antecedentes pessoais conhecidos, é trazido por familiares para consulta em UBS. Após anamnese, exame físico e solicitação de exames laboratoriais, foram identificados os seguintes resultados: glicemia de jejum dentro da normalidade e hemoglobina glicada ≥ 6,5%. Com base nesses achados, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes e a American Diabetes Association, é possível dizer que o paciente:
HbA1c ≥ 6,5% ou Glicemia Jejum ≥ 126 mg/dL confirma Diabetes (repetir para confirmar).
O diagnóstico de Diabetes Mellitus pode ser feito via Glicemia de Jejum, TOTG ou HbA1c. Se houver discordância entre os testes, o resultado que estiver acima do ponto de corte diagnóstico deve ser valorizado e repetido.
O diagnóstico de Diabetes Mellitus evoluiu para incluir a Hemoglobina Glicada (HbA1c) como um método prático e padronizado, que dispensa o jejum obrigatório e oferece uma visão longitudinal do controle glicêmico. A padronização pelo método NGSP/DCCT é essencial para sua utilização diagnóstica. Em pacientes idosos, como o do caso clínico (73 anos), o rastreamento é fundamental, pois a apresentação clínica pode ser atípica ou assintomática. A identificação de uma HbA1c ≥ 6,5% classifica o indivíduo como portador de diabetes, independentemente de a glicemia de jejum estar na faixa de normalidade (< 100 mg/dL) ou pré-diabetes (100-125 mg/dL). O manejo deve então focar na prevenção de complicações micro e macrovasculares, ajustando as metas glicêmicas de acordo com a funcionalidade e comorbidades do paciente.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a American Diabetes Association (ADA), o diagnóstico de Diabetes Mellitus pode ser estabelecido por: 1) Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL; 2) Glicemia de 2 horas após sobrecarga de 75g de glicose (TOTG) ≥ 200 mg/dL; ou 3) Hemoglobina Glicada (HbA1c) ≥ 6,5%. Para a confirmação, são necessários dois exames alterados (podem ser do mesmo teste em amostras diferentes ou dois testes diferentes alterados na mesma amostra). Pacientes com sintomas clássicos de hiperglicemia e uma glicemia aleatória ≥ 200 mg/dL também fecham o diagnóstico sem necessidade de repetição.
É comum encontrar pacientes com glicemia de jejum normal, mas HbA1c em níveis de diabetes ou pré-diabetes. Isso ocorre porque a HbA1c reflete a média glicêmica dos últimos 2 a 3 meses, incluindo picos pós-prandiais que a glicemia de jejum não capta. Quando dois testes diferentes são realizados e apenas um está acima do limite diagnóstico, o teste alterado deve ser repetido. Se o resultado repetido confirmar a alteração, o diagnóstico de diabetes é estabelecido. No caso da questão, uma HbA1c compatível com diabetes (≥ 6,5%) define o paciente como diabético, mesmo com jejum normal.
A acurácia da HbA1c depende da sobrevida normal das hemácias. Condições que alteram o turnover eritrocitário podem gerar resultados falsamente baixos ou altos. Anemias hemolíticas, gravidez (2º e 3º trimestres), hemodiálise, perda recente de sangue ou uso de eritropoetina reduzem a HbA1c. Já a anemia por deficiência de ferro, deficiência de vitamina B12 e esplenectomia podem elevar falsamente os níveis de HbA1c. Nesses casos, deve-se priorizar os critérios baseados na glicemia plasmática (jejum ou TOTG) para o diagnóstico e acompanhamento do paciente.
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