UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2022
Paciente M.M.S., 39 anos, G1P0, vem para consulta de pré-natal com 18 semanas trazendo glicemia de jejum 98mg/dL, qual deve ser a conduta nesse caso?
Glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL antes de 24 semanas de gestação → diagnóstico de Diabetes Gestacional.
Uma glicemia de jejum entre 92 e 125 mg/dL, detectada em qualquer momento da gestação, mas especialmente antes das 24 semanas, já é suficiente para fechar o diagnóstico de Diabetes Gestacional. Nesses casos, o TOTG 75g não é necessário para o diagnóstico, sendo indicado apenas para rastreamento em gestantes com glicemia de jejum normal inicial.
O diabetes gestacional (DG) é uma condição comum que afeta cerca de 10-20% das gestações, caracterizada por intolerância à glicose de início ou primeiro reconhecimento durante a gravidez. Sua importância clínica reside no risco aumentado de complicações maternas (pré-eclâmpsia, parto prematuro, cesariana) e fetais (macrossomia, hipoglicemia neonatal, icterícia, síndrome do desconforto respiratório, obesidade e diabetes tipo 2 na vida adulta). O diagnóstico e manejo adequados são cruciais para minimizar esses riscos e garantir um bom desfecho gestacional. A fisiopatologia do DG envolve a resistência à insulina, exacerbada pelos hormônios placentários, e uma incapacidade do pâncreas materno de compensar essa resistência com aumento da produção de insulina. O rastreamento é universal e o diagnóstico pode ser feito precocemente se a glicemia de jejum for ≥ 92 mg/dL antes de 24 semanas. Caso contrário, o teste de tolerância oral à glicose (TOTG 75g) é realizado entre 24 e 28 semanas. É fundamental suspeitar de DG em qualquer gestante, especialmente aquelas com fatores de risco como idade avançada, obesidade, histórico familiar de diabetes ou DG prévio. O tratamento inicial do DG é baseado em mudanças no estilo de vida, incluindo dieta balanceada e atividade física regular. O monitoramento da glicemia capilar é essencial para avaliar a resposta ao tratamento. Se as metas glicêmicas não forem alcançadas, a insulinoterapia é a próxima etapa, sendo a metformina uma alternativa em casos selecionados, mas não a primeira escolha. O prognóstico é geralmente bom com o controle glicêmico adequado, mas a gestante com DG tem risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro, necessitando de acompanhamento pós-parto.
O diagnóstico de diabetes gestacional pode ser feito se a glicemia de jejum for ≥ 92 mg/dL em qualquer momento da gestação. Se a glicemia de jejum inicial for normal (< 92 mg/dL), realiza-se o TOTG 75g entre 24 e 28 semanas, e o diagnóstico é feito se um dos valores for alterado: jejum ≥ 92 mg/dL, 1h ≥ 180 mg/dL ou 2h ≥ 153 mg/dL.
A conduta inicial para o diabetes gestacional é sempre não farmacológica, incluindo dieta individualizada com restrição de carboidratos simples, prática de atividade física regular (se não houver contraindicações) e monitoramento rigoroso das glicemias capilares (glicemias de jejum e pós-prandiais) para avaliar o controle glicêmico.
A insulina é indicada quando as metas glicêmicas não são atingidas apenas com as medidas não farmacológicas (dieta e atividade física) após 1 a 2 semanas de tratamento. As metas geralmente são glicemia de jejum < 95 mg/dL e glicemia pós-prandial de 1h < 140 mg/dL ou de 2h < 120 mg/dL.
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