Diabetes Gestacional: Critérios Diagnósticos e Manejo

ENARE/ENAMED — Prova 2022

Enunciado

Gestante, 28 anos, obesa, vem para a consulta de pré-natal de sua segunda gestação preocupada com o resultado do seu teste oral de tolerância à glicose com 75mg de glicose (TOTG-75), visto que teve diabetes gestacional em sua última gravidez. No dia da consulta, a paciente se encontra com 26 semanas e 3 dias de gestação e traz o resultado de sua glicemia de jejum realizada na primeira consulta pré-natal, com o seguinte resultado: 89mg/dl. Traz também TOTG-75, com os resultados: glicemia de jejum 91mg/dl, após 1h da ingesta: 176mg/dl, e, após 2h: 140mg/dl. Sendo assim, o médico deve informar a paciente que

Alternativas

  1. A) ela possui diabetes gestacional e o tratamento deve ser com dieta e exercícios físicos.
  2. B) ela possui diabetes gestacional e o tratamento deve ser com insulina.
  3. C) ela possui diabetes pré-gestacional (preexistente) e deve iniciar dieta e exercícios físicos.
  4. D) ela possui diabetes pré-gestacional (preexistente) e o tratamento deve ser instituído com metformina.
  5. E) ela não possui diabetes gestacional, mas, por ter histórico e outros fatores de risco, deve ficar atenta e seguir rotina com alimentação saudável e exercícios para prevenção. 

Pérola Clínica

DG: 1 valor alterado no TOTG-75 (jejum ≥92, 1h ≥180, 2h ≥153 mg/dL) ou GJ ≥92 na 1ª consulta. Caso contrário, não é DG.

Resumo-Chave

O diagnóstico de diabetes gestacional é feito se pelo menos um dos valores do TOTG-75 (jejum, 1h ou 2h) estiver alterado, ou se a glicemia de jejum na primeira consulta for ≥ 92 mg/dL. Neste caso, todos os valores estão normais, apesar do histórico e fatores de risco, o que indica a necessidade de acompanhamento e prevenção, mas não o diagnóstico de DG.

Contexto Educacional

O diabetes gestacional (DG) é uma condição comum na gravidez, definida como qualquer grau de intolerância à glicose com início ou primeiro reconhecimento durante a gestação. Sua prevalência varia, mas é uma das complicações médicas mais frequentes da gravidez, impactando tanto a saúde materna quanto a fetal. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações como macrossomia fetal, pré-eclâmpsia, parto prematuro e hipoglicemia neonatal. O rastreamento para DG é geralmente realizado entre a 24ª e a 28ª semana de gestação, utilizando o Teste Oral de Tolerância à Glicose com 75g (TOTG-75). Os critérios diagnósticos são rigorosos: glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL, ou um dos valores do TOTG-75 alterado (1h ≥ 180 mg/dL ou 2h ≥ 153 mg/dL). É importante diferenciar DG de diabetes pré-gestacional, que é diagnosticado com critérios de diabetes fora da gravidez. Pacientes com fatores de risco, mesmo sem DG, devem ser orientadas sobre alimentação saudável e exercícios. O tratamento inicial do DG envolve dieta e exercícios físicos. Se as metas glicêmicas não forem atingidas, a insulinoterapia é a próxima etapa, sendo a metformina uma alternativa em casos selecionados, mas não a primeira escolha. O acompanhamento rigoroso da glicemia e o monitoramento fetal são essenciais para garantir um desfecho favorável para mãe e bebê, e a paciente deve ser reavaliada no pós-parto para excluir diabetes tipo 2.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de diabetes gestacional?

O diagnóstico de diabetes gestacional é estabelecido se a glicemia de jejum na primeira consulta for ≥ 92 mg/dL, ou se no TOTG-75 (entre 24-28 semanas) um dos valores for alterado: jejum ≥ 92 mg/dL, 1 hora ≥ 180 mg/dL ou 2 horas ≥ 153 mg/dL.

Quando o TOTG-75 deve ser realizado em gestantes?

O teste oral de tolerância à glicose com 75g deve ser realizado entre a 24ª e a 28ª semana de gestação para rastreamento e diagnóstico de diabetes gestacional, a menos que a paciente já tenha sido diagnosticada com DG ou diabetes pré-gestacional anteriormente.

Quais são os principais fatores de risco para diabetes gestacional?

Os principais fatores de risco incluem idade materna avançada (>35 anos), obesidade, histórico familiar de diabetes, diabetes gestacional em gravidez anterior, macrossomia fetal em gestação prévia e síndrome dos ovários policísticos.

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