Unioeste/HUOP - Hospital Universitário do Oeste do Paraná - Cascavel (PR) — Prova 2015
Paciente masculino, 27 anos, procura o Pronto-Socorro do HUOP referindo-se que, há cerca de 20 dias, iniciou com dor pleurítica em base do hemitórax direito, dispneia leve e febre vespertina. Contato com paciente bacilífero (BAAR +) há cerca de 2 anos. Raio X de Tórax da admissão com derrame pleural de moderado volume à direita e sem outras alterações relevantes. Levando-se em conta a principal hipótese diagnóstica para este caso, qual a melhor conduta a ser seguida?
Suspeita TB pleural → BAAR escarro + toracocentese + biópsia pleural agulha Cope para diagnóstico.
Em caso de suspeita de derrame pleural tuberculoso, uma abordagem diagnóstica completa é essencial. Isso inclui a pesquisa de BAAR no escarro para avaliar envolvimento pulmonar, análise do líquido pleural (bioquímica, citologia, microbiologia) e, crucialmente, a biópsia pleural com agulha de Cope para histopatologia e cultura do tecido, que tem alta sensibilidade e especificidade.
O derrame pleural tuberculoso é uma manifestação comum da tuberculose extrapulmonar, resultando da resposta imune à presença de bacilos de Koch na pleura. Geralmente ocorre como uma complicação da primoinfecção ou reativação, com sintomas como dor pleurítica, dispneia e febre vespertina. É mais comum em adultos jovens e pode ser a primeira manifestação da doença. O diagnóstico do derrame pleural tuberculoso exige uma abordagem sistemática. Inicialmente, a toracocentese diagnóstica é fundamental para a análise do líquido pleural, que tipicamente revela um exsudato linfocitário com ADA elevado. No entanto, a cultura de BAAR no líquido pleural tem baixa sensibilidade. Por isso, a biópsia pleural com agulha de Cope é considerada o padrão ouro, permitindo a identificação de granulomas caseosos na histopatologia e a cultura do tecido pleural, aumentando significativamente a taxa de diagnóstico. A pesquisa de BAAR no escarro também é importante para descartar tuberculose pulmonar ativa concomitante. Uma vez confirmado o diagnóstico, o tratamento segue o esquema padrão para tuberculose, geralmente com quatro drogas na fase intensiva e duas na fase de manutenção. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, mas a falta de diagnóstico e tratamento pode levar a complicações como paquipleurite e fibrose pleural. É vital que residentes dominem essa abordagem diagnóstica para garantir o manejo eficaz e evitar a progressão da doença.
O líquido pleural tuberculoso é tipicamente um exsudato, com predomínio linfocitário, níveis elevados de adenosina deaminase (ADA), proteínas elevadas e glicose normal ou baixa. A cultura para BAAR no líquido pleural é positiva em uma minoria dos casos.
A biópsia pleural é indicada quando a suspeita de tuberculose pleural é alta e a análise do líquido pleural não é conclusiva. Sua importância reside na alta sensibilidade para detectar granulomas caseosos e permitir a cultura do tecido, confirmando o diagnóstico.
A pesquisa de BAAR no escarro é crucial para identificar uma possível tuberculose pulmonar concomitante, que pode ser a fonte do derrame pleural e tem implicações no tratamento e na transmissibilidade da doença.
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