Demência e Alzheimer: Diagnóstico e Sintomas Comportamentais

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020

Enunciado

Idoso, 75 anos, casado, pai de 5 filhos, médico, aposentado há 5 anos. Hipertenso, usa valsartana 160mg/dia, nega etilismo e tabagismo, pratica atividade física regular e tem história familiar de Doença de Alzeimer e câncer de próstata. Independente para as atividades da vida diária até seis meses atrás, quando começou a errar repetidas vezes senha do banco, algo que não havia acontecido até então; os filhos passaram, pois, a não permitir mais que ele resolvesse questões bancárias e financeiras. Sua esposa também relatou que o mesmo vem apresentando discurso repetitivos, esquecendo objetos pessoais em locais públicos além de estar mais irritado e que essa alteração vem piorando nos últimos dois meses. Sobre o caso clínico, marque a resposta errada:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico sindrômico do caso acima é demência
  2. B) Para diagnóstico etiológico é necessário afastar causas reversíveis e secundárias através de avaliação neuropsicológica, exames laboratoriais e exame de neuroimagem
  3. C) O tratamento, em caso de doença de Alzheimer, é baseado em tratamento farmacológico associado a terapia de reabilitação cognitiva e social
  4. D) A família é fundamental no tratamento deste paciente
  5. E) Provavelmente este paciente não tem Alzheimer, pois não apresenta sintomas comportamentais

Pérola Clínica

Demência = síndrome; Alzheimer pode ter sintomas comportamentais (irritabilidade, esquecimento objetos) e não apenas perda de memória.

Resumo-Chave

Demência é uma síndrome clínica caracterizada por declínio cognitivo que interfere nas atividades diárias. A Doença de Alzheimer é a causa mais comum, e é um erro comum pensar que ela não apresenta sintomas comportamentais, pois irritabilidade, agitação e esquecimento de objetos são manifestações frequentes.

Contexto Educacional

A demência é uma síndrome clínica caracterizada por um declínio cognitivo progressivo e persistente que afeta múltiplas funções cerebrais, como memória, linguagem, raciocínio e capacidade de realizar atividades da vida diária. É um diagnóstico sindrômico, e a Doença de Alzheimer é a causa mais comum, respondendo por cerca de 60-80% dos casos. O diagnóstico etiológico é crucial e envolve uma abordagem multifacetada para excluir causas reversíveis e secundárias, como deficiências vitamínicas, hipotireoidismo, hidrocefalia de pressão normal ou tumores. A avaliação diagnóstica inclui uma história clínica detalhada, exame físico e neurológico, avaliação neuropsicológica para quantificar o déficit cognitivo, exames laboratoriais e neuroimagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio). É um equívoco comum pensar que a Doença de Alzheimer se manifesta apenas com perda de memória. Na verdade, sintomas comportamentais e psicológicos, como irritabilidade, agitação, apatia, depressão, delírios e esquecimento de objetos em locais inadequados, são manifestações frequentes e podem ser proeminentes em diferentes estágios da doença, impactando significativamente a qualidade de vida do paciente e da família. O tratamento da Doença de Alzheimer é complexo e envolve uma abordagem não farmacológica, com terapia de reabilitação cognitiva e social, suporte familiar e adaptação do ambiente, e farmacológica, com o uso de inibidores da colinesterase e memantina para tentar retardar a progressão dos sintomas. A família desempenha um papel fundamental no cuidado e suporte ao paciente, sendo parte integrante do plano terapêutico.

Perguntas Frequentes

Quais são os primeiros sinais de demência em idosos?

Os primeiros sinais de demência podem incluir esquecimento frequente que interfere na vida diária, dificuldade em planejar ou resolver problemas, desorientação de tempo e lugar, e alterações de humor ou personalidade, como irritabilidade e apatia.

Quais exames são necessários para o diagnóstico etiológico de demência?

Para o diagnóstico etiológico, além da avaliação clínica e neuropsicológica, são necessários exames laboratoriais para afastar causas reversíveis (ex: TSH, B12, eletrólitos) e exames de neuroimagem (TC ou RM de crânio) para identificar atrofia ou outras lesões estruturais.

A Doença de Alzheimer sempre apresenta sintomas comportamentais?

Não necessariamente, mas sintomas comportamentais e psicológicos da demência (SCPD), como irritabilidade, agitação, apatia ou delírios, são muito comuns em diferentes estágios da Doença de Alzheimer e devem ser investigados como parte do quadro clínico.

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