Hanseníase: Diagnóstico Clínico e Tratamento PQT

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023

Enunciado

A Hanseníase constitui importante problema de saúde publica em nosso meio, no Brasil 17.979 casos novos foram notificados em 2020 (MS, 2022). Na Fundação Hospitalar Alfredo da Matta em 2021 foram diagnosticados 81 casos novos sendo 86,4% multibacilares. Analise as afirmativas a seguir: I. Define-se caso de hanseníase Lesão (ões) e/ou áreas (s) da pele com alteração de sensibilidade térmica e/ou dolorosa e/ou tátil; e ou Espessamento de nervo periférico, associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas.II. A hanseniase dimorfa caracteriza-se pela presença de uma imunidade instável, podendo atingir mais de um tronco nervoso, episódios reacionais frequentes e baciloscopia sempre positiva.III. O tratamento das formas paucibacilares é feito com o PQT-U, rifampicina, dapsona e clofazimina por 6 meses.IV. Na avaliação neurológica dos casos suspeitos, a eletroneuromiografia mostra anormalidades na condução axonal e desmielinizantes que são especificos para neuropatia hansênica.Assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Somente as afirmativas I e III estão corretas.
  2. B) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.
  3. C) Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas.
  4. D) Todas as afirmativas estão corretas.

Pérola Clínica

Hanseníase: diagnóstico clínico por lesões cutâneas com alteração de sensibilidade e/ou espessamento nervoso.

Resumo-Chave

O diagnóstico de hanseníase é essencialmente clínico, baseado em lesões de pele com alteração de sensibilidade e/ou espessamento de nervos periféricos. A classificação paucibacilar e multibacilar guia o esquema de poliquimioterapia (PQT) adequado.

Contexto Educacional

A hanseníase, causada pelo Mycobacterium leprae, permanece um desafio de saúde pública no Brasil. Seu diagnóstico precoce é crucial para prevenir incapacidades. A doença afeta principalmente pele e nervos periféricos, manifestando-se com lesões cutâneas hipoestésicas e/ou espessamento de nervos. A classificação em paucibacilar (PB) e multibacilar (MB) é fundamental para guiar o tratamento e o prognóstico. A fisiopatologia envolve a interação do bacilo com o sistema imune do hospedeiro, resultando em um espectro clínico que vai da forma tuberculoide (com boa resposta imune celular e poucos bacilos) à virchowiana (com resposta imune celular deficiente e alta carga bacilar). A hanseníase dimorfa representa um espectro intermediário com imunidade instável. A baciloscopia é um exame complementar importante, sendo geralmente positiva nas formas MB. O tratamento é baseado na poliquimioterapia (PQT), que varia conforme a classificação. O PQT-PB (rifampicina e dapsona por 6 meses) e o PQT-MB (rifampicina, dapsona e clofazimina por 12 meses) são eficazes e curativos. A adesão ao tratamento e o manejo das reações hansênicas são essenciais para evitar sequelas neurológicas e deformidades.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para hanseníase?

O diagnóstico de hanseníase é clínico, baseado na presença de lesões cutâneas com alteração de sensibilidade (térmica, dolorosa, tátil) e/ou espessamento de nervos periféricos associado a alterações sensitivas, motoras ou autonômicas.

Qual a diferença entre o tratamento da hanseníase paucibacilar e multibacilar?

A hanseníase paucibacilar é tratada com rifampicina e dapsona por 6 meses (PQT-PB). A hanseníase multibacilar é tratada com rifampicina, dapsona e clofazimina por 12 meses (PQT-MB).

A eletroneuromiografia é específica para neuropatia hansênica?

Não, a eletroneuromiografia pode mostrar anormalidades axonais e desmielinizantes na neuropatia hansênica, mas esses achados não são específicos e podem ser vistos em outras neuropatias.

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