IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025
Mulher, 34 anos, G2P1A0, queixa-se de quadro de dismenorreia progressiva e dispareunia há três anos. Ela tem uma USG transvaginal sem alterações apreciáveis. Ao toque bimanual, o útero é retrovertido, fixo, com sensibilidade dolorosa importante ao toque. Exame laboratorial evidencia nível sérico de CA-125 levemente aumentado. O diagnóstico mais provável é:
Dismenorreia progressiva + dispareunia + útero fixo/doloroso + CA-125 ↑ = Endometriose.
A tríade de dismenorreia progressiva, dispareunia e útero fixo e doloroso ao toque bimanual é altamente sugestiva de endometriose, mesmo com ultrassonografia transvaginal normal. O CA-125 pode estar levemente elevado, mas não é específico. A fixação uterina indica aderências pélvicas, comuns na endometriose avançada.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. É uma das principais causas de dor pélvica crônica, dismenorreia e infertilidade. A fisiopatologia envolve a teoria da menstruação retrógrada, metaplasia celômica e disseminação linfática/vascular, resultando em lesões que respondem aos hormônios ovarianos, causando inflamação e formação de aderências. O diagnóstico de endometriose é frequentemente desafiador devido à variabilidade dos sintomas e à ausência de um teste não invasivo definitivo. A história clínica é fundamental, com queixas de dismenorreia progressiva, dispareunia profunda e dor pélvica crônica. O exame físico, incluindo o toque bimanual, pode revelar achados como útero fixo e doloroso, nodularidade nos ligamentos uterossacros ou massas anexiais. Exames de imagem como a ultrassonografia transvaginal podem ser normais em até 50% dos casos, ou mostrar endometriomas ovarianos ou endometriose profunda. O CA-125 pode estar levemente elevado, mas não é diagnóstico. O tratamento da endometriose é individualizado e visa o alívio da dor e a melhora da fertilidade. Pode incluir terapia hormonal (contraceptivos orais, progestágenos, análogos de GnRH) para suprimir o crescimento do tecido endometrial, analgésicos e, em muitos casos, cirurgia laparoscópica para excisão das lesões e lise de aderências. O manejo da endometriose requer uma abordagem multidisciplinar para otimizar os resultados e a qualidade de vida da paciente, sendo crucial para residentes entenderem a complexidade da doença.
Os sintomas clássicos incluem dismenorreia progressiva, dispareunia profunda, dor pélvica crônica não cíclica, infertilidade e sintomas intestinais ou urinários cíclicos, dependendo da localização das lesões. A intensidade dos sintomas nem sempre se correlaciona com a extensão da doença.
O exame físico, especialmente o toque bimanual, é crucial. Achados como útero retrovertido e fixo, nodularidade nos ligamentos uterossacros e dor à palpação podem indicar endometriose, mesmo que a ultrassonografia não mostre lesões óbvias, sugerindo aderências ou implantes profundos.
O CA-125 é um marcador de inflamação e pode estar elevado em casos de endometriose, especialmente em estágios mais avançados ou com endometriomas. No entanto, não é específico para endometriose e pode estar aumentado em outras condições benignas ou malignas, sendo mais útil no monitoramento da resposta ao tratamento do que no diagnóstico inicial.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo